Koco costumava pousar no ombro de Aamir Tinwala enquanto ele fazia a lição de casa ou assistia televisão. Tinha o rosto amarelo, manchas alaranjadas nas bochechas e havia chegado à família em um momento em que o mundo parecia pequeno demais: a pandemia.
Aamir ainda era um menino quando começou a descobrir os pássaros através dela. Alimentava Koco, limpava sua gaiola e aprendeu a fazê-la voar sob comando. Até que a ave morreu e deixou um vazio. Que viria a ser preenchido de uma maneira inusitada: carpintaria.
Depois de Koco
Aamir pesquisou sobre as aves que viviam fora de sua casa e descobriu um problema muito maior do que imaginava. Por todas as partes as aves estava desaparecendo e perdendo as suas casas.
Em 2019, um estudo publicado na revista Science calculou que a América do Norte havia perdido cerca de 2,9 bilhões de aves desde 1970, uma redução de 29% na abundância registrada.
A perda de Koco, segundo o próprio adolescente relataria anos depois à Audubon Texas, foi o que transformou aquela curiosidade em uma preocupação pessoal. Em vez de começar por algo gigantesco, Aamir olhou para o próprio quintal.
Comprou madeira não tratada e atóxica com o pai, pegou uma serra emprestada e começou a cortar as primeiras peças. Surgiram pequenas caixas com uma abertura na frente: lugares onde aves silvestres poderiam se proteger e criar seus filhotes.

A mãe divulgou a iniciativa nas redes sociais da vizinhança. Nos fins de semana, os dois saíam entregando as caixas às famílias inscritas. Na escola, um professor de ciências e o clube ambiental o incentivaram a levar a ideia para um evento do Dia da Terra.
Era o início do Backyard Bird Project.
750 caixas depois
Aamir passou a realizar oficinas em Coppell, Irving e outros subúrbios de Dallas, ensinando crianças, adultos e idosos a montar seus próprios abrigos. Pequenas caixas eram adaptadas para chapins e corruíras; outras estruturas podiam atender espécies maiores.
Em relato publicado pela Audubon, Aamir afirmou ter construído pessoalmente mais de 750 caixas-ninho em oito condados, destinadas a espécies como corruíras-da-Carolina, chapins, Eastern Bluebirds e andorinhas-martins.

Em março de 2026, a organização Points of Light registrava quase 64 eventos presenciais e virtuais, capítulos do projeto em 24 estados americanos e três países e mais de 750 caixas instaladas pelo próprio Aamir para pelo menos 16 espécies nativas do Texas.
Parte do trabalho chegou até à Índia, onde oficinas digitais passaram a apoiar iniciativas voltadas aos pardais. No Texas, Aamir também começou a testar caixas com sensores de temperatura e umidade e a combinar dados ambientais para estudar onde novos abrigos poderiam ser mais úteis.
O pássaro da cidade
Talvez a mudança mais simbólica tenha acontecido em Coppell.
Aamir organizou uma campanha para que o município adotasse oficialmente uma ave. A escolhida foi o quiriquiri-americano, pequeno falcão conhecido nos Estados Unidos como American kestrel.

Quando perguntaram a Aamir o que outras pessoas poderiam aprender com sua história, a resposta voltou ao tamanho da primeira caixa: começar pequeno e continuar trabalhando com o tempo.






