Oito em cada dez adultos no Brasil estiveram na mira de criminosos que usam programas populares para roubar dinheiro ao longo dos últimos 12 meses. O dado faz parte de um levantamento divulgado pela organização Global Anti-Scam Alliance (Gasa) em 2026, apontando que as fraudes provocaram um prejuízo de R$ 21,2 bilhões no País no período.
Diante desse crescimento, a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) decidiu intensificar a campanha nacional “Tem Cara de Golpe”, criada para orientar a população e conter abordagens que usam o Minha Casa, Minha Vida e o Desenrola Brasil com pedidos de transferências antecipadas.
Como os criminosos usam o Minha Casa, Minha Vida e o Desenrola
Os golpistas aproveitam a necessidade de quem tem dívidas ou sonha com a casa própria para inventar vantagens que não existem. No Minha Casa, Minha Vida, eles prometem furar a fila do programa habitacional ou garantir a liberação do contrato no mesmo dia. Para isso, exigem que a vítima pague uma taxa adiantada por meio de Pix ou boleto bancário falso.
A tática se repete com a marca do Desenrola Brasil. Mesmo com o fim oficial do programa do governo federal, criminosos ainda entram em contato com pessoas endividadas oferecendo descontos fora da realidade. Em troca do falso acordo, cobram um valor de entrada que vai direto para a conta da quadrilha, em uma dinâmica parecida com as abordagens que miram aposentados e pensionistas com mensagens falsas sobre liberação de benefícios.
Ligações no celular lideram as tentativas de fraude no Brasil
A mesma pesquisa da Gasa de 2026 contabilizou 34,5 bilhões de investidas criminosas no País em um ano. O número confirma o avanço de diferentes tipos de golpes digitais que se espalham pelo país. Apesar da alta circulação de links suspeitos em redes sociais e conversas por aplicativos, as ligações de voz continuam sendo o principal canal usado pelas quadrilhas para abordar o cidadão.
Durante essas chamadas, os criminosos fingem trabalhar em agências bancárias ou ministérios em Brasília. Eles usam dados pessoais da vítima para conquistar confiança imediata e geram pânico com prazos curtos, insistindo que a renegociação da dívida ou a entrega das chaves depende de uma transferência imediata.
O que fazer para não perder dinheiro e onde buscar ajuda
A regra básica de proteção é desconfiar de qualquer cobrança para liberar auxílios. Órgãos públicos e bancos nunca pedem depósito antecipado para validar cadastros, e serviços do governo jamais utilizam chaves Pix registradas em nome de pessoas físicas. Na internet, o canal oficial seguro precisa ter obrigatoriamente a terminação “.gov.br”.
Quem tiver feito o repasse por engano deve ligar de imediato para o seu banco e solicitar o mecanismo especial de bloqueio para contestar o Pix. Logo após, é fundamental registrar o boletim de ocorrência na Polícia Civil, reunindo os comprovantes das transferências, prints de conversas e o registro das chamadas telefônicas recebidas.










