Durante oito meses, Benjamin Davis passou mais de 800 horas em sua oficina doméstica em uma garagem de Wrentham, Massachusetts. Aos 16 anos, ele desenvolveu uma máquina capaz de reciclar impressões descartadas em material novo para impressoras 3D.
O estudante da Bishop Feehan High School desenvolveu mais de 50 protótipos, 30 peças desenhadas em CAD e sete subsistemas integrados até conseguir projetar uma máquina que conseguisse produzir em escala comercial.
Lixo vira matéria-prima
O projeto recebeu o nome de From Crude to Extrude (em tradução livre, do bruto ao produto pronto). Na entrada da máquina, são inseridos e tratados pedaços de garrafa PET e material descartado. Na saída, surgem fios plásticos que podem ser usados em novas impressões.
A diferença está na combinação de extrusão e pultrusão em um único equipamento. Em vez de submeter o plástico a sucessivos ciclos de aquecimento e reprocessamento, Davis buscou completar o processo em uma única passagem e controlar os detalhes do filamento.
Nos testes apresentados pelo jovem, a configuração consumiu 43% menos energia que o processo de referência da indústria e gerou cinco vezes menos material particulado. A Society for Science, organizadora da competição, descreveu a melhora de eficiência de forma arredondada em cerca de 45%.

Da garagem ao palco
Em maio de 2025, Benjamin levou o projeto à Feira Internacional de Ciência e Engenharia Regeneron (ISEF), em Columbus, Ohio. Uma das maiores competições científicas pré-universitárias do mundo.
Quase 1.700 jovens cientistas de 62 países participaram daquela edição. Benjamin terminou entre os principais vencedores e recebeu um dos dois Regeneron Young Scientist Awards, acompanhado de US$ 75 mil.
Também ficou em primeiro lugar na categoria de Engenharia de Tecnologia: Estática e Dinâmica. A máquina chamou atenção não apenas pela reciclagem: segundo os organizadores, ela é mais rápida que os recicladores domésticos existentes e custa cerca de 90% menos.
No levantamento do projeto, Benjamin estima um custo de produção inferior a US$ 3 por quilo de filamento, diante dos US$ 20 a US$ 30 cobrados comercialmente. Os números, porém, são resultados apresentados pelo estudante e precisam de verificação.

O projeto continua
Em entrevista publicada pela Society for Science em maio de 2026, Davis contou que passou a reorganizar sua oficina e adquirir novos equipamentos para preparar a próxima fase do desenvolvimento.
Ele pretende tornar o sistema mais eficiente e comercialmente viável, além de desenvolver uma máquina capaz de fabricar filamentos compostos resistentes a altas temperaturas. Uma nova etapa da pesquisa está prevista para o ciclo de feiras científicas de 2027.






