Arca de Noé: pesquisadores começam a perfurar formação geológica parecida com barco após identificar possíveis corredores e compartimentos subterrâneos

Formação de 157 metros na Turquia é investigada há décadas; equipe pretende coletar amostras e usar robô para explorar estruturas no subsolo

Formação geológica de Durupinar, na Turquia, investigada em busca de possíveis estruturas subterrâneas

Formação de Durupinar tem formato semelhante a um barco e é investigada por pesquisadores na Turquia - Mfikretyilmaz/Wikimedia Commons

Uma formação geológica em formato de barco na Turquia acaba de entrar em uma nova etapa de investigação que tenta responder a uma pergunta que atravessa décadas: o que existe sob a estrutura apontada por alguns pesquisadores como possível localização da Arca de Noé?

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As equipes começaram a realizar perfurações na Formação de Durupinar, no leste da Turquia, próxima ao Monte Ararat. O local é investigado por pesquisadores desde que seu formato incomum foi identificado em imagens aéreas, em 1959.

A nova pesquisa é conduzida por uma equipe ligada à Universidade Sivas Cumhuriyet, sob liderança do arqueólogo Cenker Atila, em parceria com o projeto Noah’s Ark Scans.

O trabalho pretende coletar amostras de solo e rocha e investigar estruturas identificadas no subsolo por levantamentos geofísicos.

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A equipe também planeja utilizar um robô subterrâneo para entrar em espaços que não podem ser acessados diretamente.

Formação tem as mesmas medidas da Arca

A Formação de Durupinar fica no distrito de Doğubayazıt, no leste da Turquia, e tem aproximadamente 157 metros de comprimento.

Seu formato alongado e semelhante ao de uma embarcação fez com que o local fosse associado à história bíblica da Arca de Noé.

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A estrutura foi identificada em 1959, quando o capitão turco İlhan Durupinar encontrou o contorno incomum em fotografias feitas durante um levantamento aéreo.

Desde então, diferentes grupos tentaram investigar o local em busca de evidências de uma antiga embarcação.

Uma das primeiras expedições chegou a utilizar equipamentos pesados para tentar acessar a formação, mas não encontrou uma estrutura que comprovasse a existência de uma arca.

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O que os pesquisadores procuram?

A investigação atual utiliza diferentes técnicas para analisar o que existe abaixo da superfície.

O projeto afirma ter utilizado georradar (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT), LiDAR e análises de solo para mapear a formação.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, levantamentos anteriores identificaram estruturas subterrâneas que apresentam corredores, compartimentos e ângulos retos.

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Análises de amostras de solo realizadas anteriormente também apontaram, segundo o projeto, uma concentração de matéria orgânica maior dentro da formação do que em áreas externas.

Esses resultados, porém, não comprovam a existência de uma embarcação. O próprio material de pesquisa do projeto trata os dados como indicativos que ainda precisam ser investigados.

Agora, a etapa de perfuração pretende obter amostras diretamente do subsolo e ajudar a determinar a natureza dessas estruturas.

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Robô será usado para entrar no subsolo

Uma das partes mais curiosas da nova investigação é o uso do Gopher, um robô desenvolvido para explorar espaços subterrâneos.

A máquina foi adaptada pelo engenheiro australiano Robert Ross, da La Trobe University, a partir de tecnologias utilizadas anteriormente para estudar tocas de animais.

A ideia é fazer pequenas perfurações e, posteriormente, enviar o robô para os espaços identificados pelos levantamentos geofísicos.

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O equipamento poderá registrar imagens e coletar amostras em locais que seriam difíceis ou impossíveis de alcançar por uma pessoa.

Arqueólogos e criacionistas participam do projeto

A nova investigação reúne pesquisadores ligados a universidades turcas e integrantes do projeto Noah’s Ark Scans, que tem entre seus apoiadores pessoas interessadas na relação entre a formação e o relato bíblico.

O grupo afirma que a pesquisa possui autorização das autoridades turcas e acompanhamento de universidades locais.

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A equipe científica é liderada por Cenker Atila, arqueólogo da Universidade Sivas Cumhuriyet.

O projeto afirma que a intenção é produzir dados geológicos, geofísicos e arqueológicos capazes de esclarecer a origem da formação.

A Arca de Noé existe?

A Formação de Durupinar é considerada por parte dos pesquisadores e grupos religiosos como uma possível localização da Arca de Noé, mas não existe, até o momento, comprovação arqueológica aceita de que a estrutura seja uma embarcação antiga.

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Geólogos já defenderam que o formato semelhante a um barco pode ser explicado por processos naturais de formação do relevo.

Por isso, a perfuração atual não significa que os pesquisadores tenham encontrado a Arca de Noé.

O que existe é uma formação geológica incomum, décadas de buscas e uma nova investigação que pretende verificar o que há em seu interior.

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Quais os próximos passos

A equipe pretende continuar o trabalho de campo, analisar as amostras retiradas das perfurações e avançar na investigação das estruturas subterrâneas identificadas pelos equipamentos.

O uso do robô Gopher é uma das próximas etapas previstas para a exploração.

O resultado pode reforçar alguma das hipóteses sobre a Formação de Durupinar, ou indicar que as estruturas possuem origem exclusivamente geológica.

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Por enquanto, a Arca de Noé continua sendo uma hipótese, não uma descoberta arqueológica confirmada.