Por: Micarla Lins
Arthur Paek celebrou o lançamento de seu primeiro livro, Arthur Paek: comida coreana, em um encontro exclusivo na Casa Osten, em São Paulo, na segunda-feira (28).
Publicada pela Editora Senac São Paulo, a obra reúne 30 receitas e histórias familiares que ajudam a compreender a relação do autor com a cozinha. Durante o evento, os convidados puderam acompanhá-lo cozinhando e conhecer de perto o trabalho que ele compartilha nas redes sociais.
Em conversa com a Gazeta, Paek contou estar muito feliz e emocionado com tudo o que está acontecendo nesta fase de sua trajetória. Ao falar sobre o significado da publicação, destacou especialmente a presença da mãe e da avó na história contada no livro. Segundo ele, levar essas memórias às páginas torna a realização ainda mais emocionante e significativa.
A fala ajuda a entender o lugar que a publicação ocupa em sua carreira. Embora Arthur tenha se tornado conhecido pelo conteúdo gastronômico na internet, a origem das receitas está na convivência familiar. O lançamento coloca essa relação em evidência e permite que o público conheça algo do caminho percorrido antes de os pratos chegarem às telas. A história apresentada tem como referências mulheres que participaram de sua formação e transmitiram conhecimentos dentro de casa.
A mãe, Regina Paek, também participa da obra como autora do prefácio. O texto recupera a chegada da família ao Brasil, em 1976, a preservação do idioma coreano no ambiente doméstico e os desafios de preparar a comida de suas origens com os ingredientes disponíveis por aqui. Esse contexto amplia a leitura das receitas: os preparos fazem parte de uma experiência de imigração, adaptação e continuidade entre gerações.
Nesse percurso, cozinhar oferece uma forma concreta de manter referências familiares presentes no cotidiano. Ingredientes, modos de preparo e hábitos à mesa carregam lembranças que podem ser transmitidas mesmo quando a vida acontece longe do país de origem. No caso do livro de Paek, o relato da mãe permite enxergar o trabalho que antecedeu a publicação e a importância de registrar conhecimentos preservados pela família.
Nas 104 páginas da obra, aparecem pratos como kimchi, japchae e tteokbokki, além de preparos relacionados ao churrasco coreano, acompanhamentos conhecidos como banchan e o dalgona coffee.
A seleção apresenta diferentes possibilidades de contato com essa cozinha, reunindo referências domésticas e receitas que também circulam pelas redes sociais.
O leitor encontra um repertório para conhecer e experimentar, acompanhado das memórias que dão contexto à escolha dos pratos. A edição impressa tem preço de capa de R$ 110 no catálogo da editora, que também disponibiliza informações sobre aquisição.
A passagem para o papel oferece uma maneira diferente de acompanhar esse conteúdo. Um vídeo apresenta movimentos, sons e imagens em uma sequência definida pela edição. O livro pode ser consultado no ritmo de quem cozinha, com pausas para conferir uma etapa ou retomar uma orientação. Para o público que já acompanha Arthur, a publicação acrescenta uma possibilidade de convivência com as receitas fora da dinâmica das plataformas digitais.
O próprio autor abordou essa diferença em entrevista anterior à Veja São Paulo. Na ocasião, explicou que o formato impresso permite desenvolver os preparos com mais detalhes e produzir um material de consulta. Também apontou como desafio transformar lembranças afetivas em instruções didáticas.
A observação revela uma tarefa importante na construção de um livro de cozinha: tornar compreensível para outra pessoa aquilo que, dentro de uma família, pode ser aprendido pela observação e pela repetição.
Ainda naquela entrevista, Paek relatou que percebeu o interesse dos seguidores pelas receitas coreanas e pelas circunstâncias em que esses pratos eram consumidos no cotidiano. As perguntas do público incluíam aspectos culturais e formas de reproduzir os preparos. O livro responde a essa curiosidade ao reunir conteúdo culinário e contexto familiar, oferecendo uma continuidade à conversa iniciada nos comentários e nas publicações da internet.
Nascido em São Paulo e descendente de coreanos, Arthur combina gastronomia e música nos conteúdos que produz. Seus vídeos apresentam o preparo dos alimentos em sintonia com a trilha sonora, criando uma linguagem que aproxima a receita do entretenimento. Conforme relatado à Veja São Paulo, ele começou a cozinhar e publicar durante a pandemia. A atividade acabou se tornando o centro de uma trajetória profissional que agora inclui a estreia como autor.
A publicação integra o catálogo de Gastronomia e Alimentação da Editora Senac São Paulo. Criada em 1995, inicialmente para apoiar professores e alunos da instituição, a editora ampliou sua atuação para o público em geral e distribui suas obras em livrarias físicas e virtuais. Seu catálogo inclui conteúdos técnicos e títulos de interesse geral, em áreas que vão da gestão à hospitalidade. O livro de Paek chega a esse conjunto com uma abordagem que combina receitas e narrativa familiar.
Na Casa Osten, a celebração aproximou esse universo editorial da experiência presencial. A oportunidade de assistir ao autor cozinhando foi um dos destaques da programação e deu aos convidados contato direto com uma atividade que muitos conhecem por meio dos vídeos. O preparo ao vivo também estabeleceu uma ligação entre a proposta do encontro e o tema da publicação, mantendo a gastronomia como parte central do lançamento.
O evento, fechado a convidados, contou com a participação do Grupo Farol, agência que representa Arthur, e com o patrocínio do escritório Thatiane Nunes Corporate Experiences. Voltado a eventos e experiências corporativas, o escritório é liderado por Thatiane Nunes, profissional com atuação no mercado de luxo. Ela participou da idealização da própria Casa Osten e tem uma trajetória ligada à articulação de parcerias e à aproximação entre marcas e seus públicos.
Essa ligação com o espaço acrescentou contexto à participação do escritório na celebração. A Casa Osten foi concebida como um ambiente de encontro entre arte, cultura e experiências, com uma proposta de relacionamento com clientes e convidados. No lançamento, o apoio da Thatiane Nunes Corporate Experiences esteve associado a uma programação que valorizou a proximidade com o autor e a vivência gastronômica, em sintonia com o caráter reservado do evento.
Durante a conversa com a Gazeta, Arthur também falou sobre o que pode vir depois do livro. Ele afirmou que há grandes planos para os próximos passos e que, com sua equipe, pensa em maneiras de levar essa comida ao público. A perspectiva indica que o lançamento faz parte de uma etapa de desenvolvimento de seu trabalho, com novas possibilidades ainda em consideração.
Entre os caminhos citados está uma presença mais ativa em outras redes sociais, incluindo o YouTube. A intenção de ampliar essa atuação aparece ao lado do desejo de criar outras formas de contato do público com a comida. São possibilidades que partem de uma atividade já conhecida pelos seguidores, mas que podem ganhar novos formatos à medida que os projetos avancem.
Por enquanto, o livro oferece um ponto de encontro entre essas diferentes frentes. Quem acompanha os vídeos pode conhecer melhor as referências do autor; quem chega pela publicação encontra receitas acompanhadas de uma história familiar. Na conversa durante o lançamento, a emoção de Arthur ao mencionar a mãe e a avó deu a medida mais pessoal dessa conquista. Ao falar sobre o futuro, ele abriu espaço para novos planos sem deixar de reconhecer de onde veio a cozinha que deseja compartilhar.
