São Paulo tem uma estrutura subterrânea que passa despercebida por quem circula diariamente pela região do Rio Pinheiros. Enquanto milhares de pessoas atravessam as pontes da Marginal Pinheiros, três grandes túneis permitem que carros e trens sigam por baixo do rio.
Os túneis Presidente Jânio Quadros e Sebastião Camargo são usados por veículos e foram construídos na década de 1990. Anos depois, a Linha 4-Amarela do Metrô também ganhou uma passagem subterrânea na região para conectar as estações Pinheiros e Butantã.
As obras exigiram soluções de engenharia para lidar com um dos principais obstáculos do subsolo paulistano: o solo úmido e de baixa resistência próximo ao Rio Pinheiros. Além do risco de infiltrações, os responsáveis pelos projetos precisaram considerar a pressão da água e a presença do lençol freático.
Túneis rodoviários foram construídos na década de 1990
O Túnel Presidente Jânio Quadros tem cerca de 1,9 quilômetro de extensão e foi inaugurado em 1994. Já o Túnel Sebastião Camargo, entregue no ano seguinte, possui aproximadamente 1,17 quilômetro.
As duas estruturas fazem parte do sistema viário da capital e permitem que os veículos atravessem a região sem precisar utilizar as pontes sobre o Rio Pinheiros.
A construção de túneis nesse trecho exigiu técnicas de contenção e impermeabilização para reduzir os efeitos da água no subsolo. Em uma área próxima ao leito do rio, qualquer falha no controle das infiltrações poderia comprometer a segurança da obra.
O desafio aumenta porque o Rio Pinheiros passou por sucessivas obras de retificação e transformação ao longo do século 20. O resultado é uma região urbana com um subsolo complexo, ocupado por diferentes estruturas de transporte e infraestrutura.
Como a água do Rio Pinheiros não invade os túneis?
A Linha 4-Amarela acrescentou uma nova estrutura subterrânea à região. O trecho entre Pinheiros e Butantã foi construído com o uso de equipamentos de escavação subterrânea, conhecidos como shields ou “tatuzões”.
Esse tipo de equipamento permite avançar pelo subsolo enquanto os segmentos que formam o revestimento do túnel são instalados. Dessa maneira, a escavação e a construção da estrutura acontecem de forma controlada, reduzindo os riscos de instabilidade do terreno.
No caso da passagem sob o Rio Pinheiros, o objetivo era manter a circulação da água na superfície enquanto a obra avançava embaixo do leito.
Os túneis também contam com sistemas de impermeabilização, drenagem e revestimento que ajudam a controlar a presença de água no subsolo. Essas soluções são fundamentais em obras construídas em terrenos úmidos e próximos a cursos d’água.
| Túnel | Inauguração | Extensão aproximada | Uso |
|---|---|---|---|
| Presidente Jânio Quadros | 1994 | 1.900 metros | Rodoviário |
| Sebastião Camargo | 1995 | 1.170 metros | Rodoviário |
| Linha 4-Amarela | 2000s | 12.800 metros | Metroviário |
Assim, enquanto o Rio Pinheiros segue visível para quem passa pelas marginais e pontes, parte importante da infraestrutura de transporte da cidade permanece escondida alguns metros abaixo do solo.
Essa rede subterrânea mostra como a expansão de São Paulo também aconteceu longe dos olhos de quem circula pela superfície: entre água, lama, concreto e equipamentos de escavação, a engenharia criou novos caminhos para atravessar uma das áreas mais movimentadas da capital.
