Avanço do mar pode fazer 50% das praias do mundo desaparecerem

Alerta vem de uma série de pesquisas coordenadas por especialistas brasileiros e uruguaios

As provas objetivas estão previstas para serem aplicadas no dia 14 de junho

Avanço do mar expõe a costa a ondas mais fortes, tempestades e correntes | Divulgação/Prefeitura de Praia Grande

Até 50% das praias do planeta correm risco de desaparecer nas próximas décadas. O alerta vem de uma série de pesquisas coordenadas por especialistas brasileiros e uruguaios, divulgadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e destacadas pelo ScienceDaily.

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Os estudos indicam que dois fatores atuam em conjunto para acelerar a erosão costeira: o aumento do nível do mar, provocado pelas mudanças climáticas, e a ocupação humana desordenada nas faixas de areia.

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Segundo o cientista marinho Omar Defeo, da Universidad de la República (Uruguai), “quase metade das praias desaparecerá até o fim do século” caso não haja políticas efetivas de conservação.

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O avanço do mar expõe a costa a ondas mais fortes, tempestades e correntes capazes de remover grandes volumes de areia, um processo intensificado em áreas com construções muito próximas da orla ou onde dunas e vegetação nativa foram removidas.

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Impactos

A perda das praias afeta ecossistemas inteiros, comunidades costeiras, atividades econômicas como pesca e turismo e aumenta a vulnerabilidade de cidades ao avanço do mar. Até mesmo áreas hoje consideradas estáveis podem se tornar frágeis nas próximas décadas.

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Os especialistas defendem que gestão costeira, restauração ambiental e planejamento urbano responsável sejam tratados como prioridades globais frente ao agravamento das mudanças climáticas.

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Sistemas cada vez mais frágeis

As praias são formadas por três zonas interligadas: dunas, faixa de areia e área submersa. Esse sistema troca sedimentos continuamente, o que mantém o equilíbrio natural. Quando uma dessas partes é alterada pela urbanização, todo o ecossistema é afetado.

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A retirada de dunas, por exemplo, elimina a proteção natural contra tempestades. “Quando a urbanização elimina a duna, o resultado pode ser a destruição de casas à beira-mar”, explica Defeo.

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Outro levantamento, publicado na revista Frontiers in Marine Science, analisou 315 praias em diversos países.

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O estudo indica que uma em cada cinco apresenta erosão intensa, extrema ou severa, resultado da combinação entre elevação do nível do mar, mudanças no padrão de ventos e ondas, e interferências humanas.

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Praias com declive acentuado, as chamadas “reflexivas” ou “de tombo”, são consideradas mais vulneráveis ao impacto das ondas, especialmente quando pressionadas por ocupação urbana.

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Pesquisas no Brasil

Um estudo liderado pelo pesquisador Guilherme Corte analisou 90 pontos em 30 praias do litoral norte de São Paulo.

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Os dados mostram que o número de frequentadores é a variável que mais afeta a biodiversidade marinha nas zonas submersas, reduzindo a riqueza de espécies e a biomassa.

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Construções erguidas na areia e limpeza mecânica frequente também agravam as perdas. O avanço do mar também ameaça transformar de forma irreversível o cenário de duas das praias mais conhecidas do Brasil: Copacabana e Ipanema, no Rio de Janeiro.

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Os pesquisadores destacam que os impactos não ficam restritos ao local de intervenção, mas alterações na área seca repercutem na zona submersa e em toda a cadeia ecológica.