Uma pedra verde encontrada presa a um molar de um adulto jovem pode mudar o que se sabe sobre os cuidados dentários dos antigos maias. O achado sugere que, além de modificar os dentes por motivos estéticos, esse povo também pode ter realizado intervenções com finalidade prática.
A descoberta foi descrita em um estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports em junho de 2026. Os pesquisadores analisaram um molar inferior que tinha uma incrustação de jadeíta, uma pedra verde usada em diferentes contextos pela sociedade maia.
O material analisado pertence ao Museu Popol Vuh, da Universidade Francisco Marroquín, na Guatemala.
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Dente foi encontrado em coleção maia
O objeto é um molar inferior esquerdo de um adulto jovem, preservado em uma coleção formada desde a década de 1970.
Na superfície usada para mastigar, os pesquisadores encontraram uma cavidade preenchida com jadeíta.
Na prática, a estrutura lembra uma obturação porque havia um espaço aberto no dente que recebeu outro material para preenchê-lo.
A diferença é que a peça usada pelos maias era uma pedra verde, fixada com uma substância cimentante.
Pedra estava em um dente escondido
Os maias já eram conhecidos por perfurar dentes e colocar materiais como jade em sua estrutura. Esses procedimentos, porém, eram encontrados principalmente nos dentes da frente, onde as alterações ficavam visíveis.
Neste caso, a pedra estava em um molar, localizado no fundo da boca.
Por isso, os pesquisadores consideram possível que a intervenção tivesse uma finalidade diferente da decoração.
Tomografia mostrou que a pessoa estava viva
Uma tomografia computadorizada permitiu observar o interior do dente sem destruí-lo. O exame encontrou uma alteração na região onde ficam os nervos e vasos sanguíneos.
Isso indica que o organismo reagiu ao procedimento. Portanto, a jadeíta foi colocada enquanto a pessoa estava viva.
O que a descoberta significa
O estudo não consegue afirmar que a pedra tratava uma cárie ou aliviava uma dor. Também não é possível determinar se havia alguma finalidade simbólica.
Ainda assim, o achado é importante porque se trata do “primeiro caso documentado de incrustação oclusal em um dente posterior entre os antigos maias”, escreveram os pesquisadores.
Na prática, isso significa que as modificações dentárias maias podem ter servido não apenas para alterar a aparência dos dentes, mas também para lidar com problemas em partes da boca que não ficavam visíveis.






