Câmara de São Paulo promove audiência pública após pesquisa revelar que 80% dos profissionais de enfermagem já sofreram violência

Cidade de São Paulo concentra o maior número de ocorrências registradas

Enfermagem sofre com violência

Para o presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, combater a violência contra a enfermagem também é uma forma de garantir um atendimento mais seguro/Freepik

A violência enfrentada por profissionais de enfermagem estará no centro de uma audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo nesta terça-feira (4/8). O encontro pretende ampliar o debate sobre a segurança da categoria, apresentar propostas para reduzir os casos de agressão e cobrar medidas que garantam melhores condições de trabalho.

Continua após a publicidade

O evento será realizado das 11h às 12h, no Salão Nobre da Câmara Municipal, localizado no Viaduto Jacareí, n° 100, na Bela Vista. A iniciativa reúne representantes da enfermagem, autoridades e membros da sociedade civil para discutir ações de prevenção e proteção aos trabalhadores da área.

Pesquisa aponta que 80% dos profissionais já sofreram violência

O debate acontece em meio a um cenário considerado preocupante pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP). De acordo com levantamento da entidade, oito em cada dez profissionais de enfermagem do estado afirmam já ter sofrido algum tipo de violência no ambiente de trabalho, incluindo agressões verbais, físicas, psicológicas e sexuais.

A pesquisa também mostra que a cidade de São Paulo concentra o maior número de ocorrências registradas. Segundo o Coren-SP, esse cenário afeta não apenas a saúde física e emocional dos trabalhadores, mas também pode comprometer a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

Continua após a publicidade

Outro dado que chama a atenção é a subnotificação. Cerca de 70,2% dos profissionais dizem não denunciar as agressões, principalmente por medo de represálias ou por acreditarem que os casos não terão punição. Além disso, 57% afirmam não receber apoio da instituição onde trabalham após episódios de violência.

Coren-SP cobra políticas públicas e ambientes mais seguros

Para o presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, combater a violência contra a enfermagem também é uma forma de garantir um atendimento mais seguro à população.

Segundo ele, quando um profissional precisa ser afastado por causa de agressões sofridas no trabalho, o impacto atinge diretamente os serviços de saúde. Cleto defende que o diálogo com o poder público resulte em políticas efetivas para prevenir novos casos e fortalecer a proteção da categoria.

Continua após a publicidade

A expectativa é que a audiência pública contribua para ampliar a conscientização sobre o problema, incentivar a denúncia das agressões e impulsionar a criação de medidas que tornem os ambientes de trabalho mais seguros para os profissionais de enfermagem em todo o estado de São Paulo.