O mês de agosto reserva uma série de eventos para quem curte astronomia. O principal destaque será a chuva de meteoros Perseidas, considerada uma das mais intensas do ano, com auge entre os dias 11 e 13 deste mês.
Também estão previstas conjunções planetárias, movimentações da missão europeia JUICE e a chegada de uma nova tripulação à Estação Espacial Internacional (ISS).
A chuva de meteoros Perseidas, ativa desde julho, poderá ser observada em ambos os hemisférios, inclusive no Brasil.
Durante o pico, será possível ver até 100 meteoros por hora em locais com pouca ou nenhuma poluição luminosa.
O fenômeno ocorre quando fragmentos do cometa Swift-Tuttle entram na atmosfera terrestre a velocidades de até 59 km por segundo, gerando riscos luminosos no céu.
Apesar de a constelação de Perseus estar melhor posicionada para observadores do hemisfério Norte, brasileiros também poderão acompanhar parte do espetáculo nas madrugadas próximas ao pico.
A Lua, em fase crescente, terá brilho moderado e não deve prejudicar a visibilidade. Segundo a astrofísica Roberta Duarte, a recomendação é observar o céu a partir de locais afastados de áreas urbanas, onde há menor interferência luminosa.
A adaptação dos olhos à escuridão pode levar cerca de 20 minutos, e a observação não requer equipamentos como telescópios ou binóculos.
Conjunções planetárias
Além da chuva de meteoros, agosto será marcado por aproximações aparentes entre planetas e a Lua. Nesta quarta-feira (6/8), Saturno e Netuno poderão ser vistos próximos no céu, observáveis com telescópios simples.
Já na próxima terça-feira (12/8), Vênus e Júpiter estarão separados por somente 0,9° de distância aparente, facilitando a visualização a olho nu.
No dia 24, penúltimo domingo do mês, Marte cruzará a região da constelação de Virgem, formando um alinhamento com as estrelas da constelação de Virgem: Beta Virginis, Porrima e Spica.
Dois dias depois, em 26 de agosto, terça-feira, a Lua crescente se unirá ao cenário, criando um padrão triangular visível, especialmente interessante para registros fotográficos.
Para quem está no hemisfério Norte, o dia 11 trará ainda um raro alinhamento de seis planetas: Mercúrio, Júpiter, Vênus, Urano, Netuno e Saturno poderão ser vistos formando uma linha no céu, um evento raro que costuma atrair a atenção de astrônomos amadores.
Missão JUICE
A missão Jupiter Icy Moons Explorer (JUICE), da Agência Espacial Europeia (ESA), realizará neste mês uma manobra de assistência gravitacional ao passar por Vênus.
Essa estratégia permitirá que a sonda ganhe velocidade e ajuste sua rota sem gasto adicional de combustível.
O objetivo da JUICE é estudar Júpiter e três de suas maiores luas — Ganimedes, Calisto e Europa — que possuem características que indicam a possível existência de oceanos subterrâneos.
A chegada à órbita do planeta está prevista para 2031. A missão vai analisar a composição dessas luas, seu campo magnético e possíveis sinais de atividade geológica.
Nova tripulação na Estação Espacial Internacional
Agosto também começou com movimentação na exploração espacial tripulada. Na última sexta-feira (1º/8), a SpaceX lançou a missão Crew-11, que decolou de Cabo Canaveral após um dia de atraso.
A bordo estavam os astronautas Zena Cardman, Mike Fincke, Kimiya Yui e Oleg Platonov, que chegaram à ISS no dia seguinte.
Eles substituíram a equipe que ocupava a estação desde março e terão como principal tarefa a realização de experimentos científicos. Entre eles estão:
- Bionutrients 3: busca por formas de produzir vitaminas no espaço a partir de alimentos fermentados;
- Stem Cell X IP1: estudo do cultivo de células-tronco em microgravidade;
- Genes in Space 12: pesquisa sobre terapias com vírus que atacam bactérias, alternativas ao uso de antibióticos.
Esses experimentos têm como objetivo preparar futuras missões de longa duração, como possíveis viagens a Marte.
Como observar fenômenos
Para quem deseja acompanhar os eventos de agosto, algumas recomendações podem facilitar a experiência:
- Escolha locais afastados de cidades: a poluição luminosa é o principal obstáculo para a observação.
- Prefira a madrugada: no caso das Perseidas, o período entre 2h e 5h da manhã costuma ser o mais favorável.
- Adapte a visão à escuridão: aguarde cerca de 20 minutos no escuro para melhorar a percepção dos meteoros.
- Evite equipamentos complexos: meteoros e conjunções planetárias podem ser vistos a olho nu; telescópios simples ajudam nos detalhes.
- Acompanhe a previsão do tempo: nuvens podem prejudicar a observação, portanto, escolha noites de céu limpo.
- Use aplicativos de astronomia: ferramentas como Stellarium ou Sky Map podem ajudar a localizar planetas e constelações.
A reportagem da Gazeta selecionou três planetários no interior de São Paulo, onde será possível observar os fenômenos.
