Cidade da fé é a que mais mata em São Paulo

Taxa de homicídios na cidade de Aparecida é de 36 ocorrências por 100 mil habitantes, sete vezes a média paulista, de acordo com levantamento

Aparecida tem taxa de homicídio de 36 casos por 100 mil habitantes / Ilustração/Gazeta S. Paulo

Aparecida tem taxa de homicídio de 36 casos por 100 mil habitantes / Ilustração/Gazeta de S. Paulo

Enquanto o estado de São Paulo registra o seu melhor momento da história recente na redução de homicídios, uma cidade do Vale do Paraíba caminha na direção oposta. Conhecida nacionalmente pela devoção religiosa, Aparecida lidera o ranking de violência letal entre os 254 municípios paulistas com mais de 20 mil habitantes, registrando uma taxa de 36,2 homicídios por 100 mil habitantes entre setembro de 2025 e agosto de 2026.

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O levantamento foi realizado pela plataforma “Crime Brasil“, exclusivo à Gazeta, que identificou que o índice é 7,4 vezes superior à média estadual no mesmo período (4,9 por 100 mil) após cruzar dados oficiais de segurança, saúde e justiça de São Paulo.

A marca contrasta com os indicadores gerais paulistas. O estado fechou o ano de 2025 com 2.405 registros de homicídio doloso, queda de 17% em relação a 2022. Nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, São Paulo contabilizou 2.268 casos, mantendo uma das menores taxas do País.

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O risco e a mancha de violência no Vale do Paraíba

Embora o número absoluto de ocorrências em Aparecida pareça reduzido à primeira vista (12 homicídios em 12 meses), a taxa proporcional revela o elevado risco a que o morador está exposto. Para efeito de comparação, a capital paulista registrou 457 casos no mesmo intervalo, mas sua taxa ficou em 3,8 por 100 mil habitantes. Na prática, morar em Aparecida é quase dez vezes mais perigoso do que viver na capital.

A alta taxa de homicídios não é um caso isolado, mas sim parte de uma mancha regional de violência. Das oito cidades com os maiores índices do estado nessa faixa populacional, sete pertencem ao Vale do Paraíba ou ao Litoral Norte:

  • Aparecida: 36,2 por 100 mil (12 casos)
  • Cachoeira Paulista: 24,6 por 100 mil (8 casos)
  • Potim: 24,0 por 100 mil (5 casos)
  • Caraguatatuba: 21,8 por 100 mil (31 casos)
  • Lorena: 21,7 por 100 mil (19 casos)
  • Ubatuba: 19,6 por 100 mil (19 casos)
  • Cruzeiro: 18,3 por 100 mil (14 casos)

Ao analisar a média de três anos (2023 a 2025), o diagnóstico se confirma. Aparecida sustentou uma taxa média de 32,2 por 100 mil ao ano, figurando como a segunda maior do estado nessa categoria. A liderança no triênio ficou com a vizinha Potim (43,3 por 100 mil), que faz divisa direta com Aparecida.

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Escalada a partir de 2022

A atual crise de segurança em Aparecida é recente. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (DATASUS/SIM) indicam que, até 2021, o município mantinha indicadores alinhados à média estadual, variando entre 6 e 15 óbitos por agressão por 100 mil habitantes (com 2 a 5 mortes anuais).

A partir de 2022, o cenário sofreu uma guinada:

  • 2022: 10 mortes (taxa de 30 por 100 mil)
  • 2023: 8 mortes (taxa de 24 por 100 mil)
  • 2024: 17 mortes (taxa de 51 por 100 mil — quase oito vezes a média do estado)

Enquanto as políticas públicas de segurança reduziram a violência no restante do estado, Aparecida registrou 13, 6, 14 e 12 homicídios dolosos entre 2022 e 2025, segundo as estatísticas da Polícia Civil. De janeiro a agosto de 2026, a cidade já contabilizava nove ocorrências.