Engenheiro é condenado por fake news sobre facada em Bolsonaro

O engenheiro foi condenado por calúnia sobre suposta participação de uma mulher de Juiz de Fora (MG), Lívia Gomes Terra, no atentado

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O engenheiro Renato Henrique Scheidemantel, morador do Rio de Janeiro, foi condenado a 10 meses de prisão por publicar nas redes sociais fake news sobre suposta participação de uma mulher de Juiz de Fora (MG), Lívia Gomes Terra, no atentado ocorrido na cidade contra o então candidato Jair Bolsonaro, em 6 de setembro de 2018.

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A condenação partiu do juiz da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Flávio Itabaiana. O magistrado é o mesmo que atuou em processos envolvendo o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, que trabalhava com o filho de Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro (PL), quando deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

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O engenheiro foi condenado por calúnia. A publicação nas redes sociais ocorreu logo depois do atentado. Durante a instrução do processo, uma tentativa de conciliação não foi realizada porque Scheidemantel não foi localizado pelos oficiais de Justiça. Em outra, ele foi citado, mas não compareceu.

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Lívia Gomes afirmou em depoimento à Justiça que começou a ser ofendida na internet dois dias depois do atentado, em 8 de setembro de 2018. Disse ter recebido uma postagem que a acusava de ter repassado uma faca a Adélio Bispo para o atentado e que a mensagem já era um compartilhamento.

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Nesse momento, Lívia procurou um advogado e a Polícia Federal. A mulher declarou à Justiça do Rio que na semana do atentado em Juiz de Fora estava doente, em casa, e que foi envolvida em um crime de repercussão nacional.

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Em outro ponto do depoimento relata que passou a receber ameaças, inclusive de morte. Conforme ela, a mensagem inicial teria partido de Scheidemantel. A mulher, durante o interrogatório, sustentou que sua vida foi abalada e que ficou impedida de sair de casa, “pois todos ficavam olhando na sua direção”, diz trecho da sentença.

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A moradora de Juiz de Fora afirmou ter procurado tratamento psiquiátrico e que entrou em depressão. O juiz Itabaiana afirma na sentença não restar dúvidas sobre o caráter ofensivo da postagem do engenheiro.

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“É imprescindível fazer menção que o uso contínuo e nocivo das redes sociais não pode servir de desculpa para a prática de crimes contra a honra (aliás, tais delitos têm crescido exponencialmente nos últimos anos), eis que os aplicativos e sites de internet não se constituem em ‘terras sem lei’ […]”, pontuou o magistrado.

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Itabaiana disse também que veículos online possuem alta capacidade destrutiva da dignidade e honra pessoal quando utilizados de forma criminosa e aumentam consideravelmente o alcance de ofensas proferidas.

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Ao prestar declarações ao longo do processo, o engenheiro alegou que seu perfil na rede social Facebook foi invadido em 6 de setembro, data do atentado. O juiz refutou a afirmação dizendo que o engenheiro continuou a postar normalmente depois desta data, “o que demonstra não houve invasão alguma”.