O Dia do Brexit, ou “Dia da Saída”, como prefere o primeiro-ministro Boris Johnson, chegou. Na sexta-feira (31), às 23 horas de Londres (20 horas em Brasília), o Reino Unido deixaria oficialmente a União Europeia, depois de mais de quatro décadas de uma ligação umbilical. O processo do Brexit ganhou força ao longo de 2010 e teve origem em grupos da direita da Inglaterra inicialmente minoritários. Em 2016 a proposta foi aprovada por 52% dos britânicos em um referendo.
Confira algumas mudanças que ´devem acontecer com a saída oficial do Reino Unido da União Europeia.
O Brexit muda algo na viagem dos brasileiros?
Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a embaixada britânica assegura que nada muda para os turistas – pelo menos durante o período de implementação das regras que definirão o divórcio do bloco.
Em relação aos vistos de trabalho, cada país europeu concede o seu próprio sob critérios diferentes. É por isso que alguém com visto de trabalho para a Suécia só pode trabalhar na Suécia.
O mesmo vale para vistos de estudo por períodos superiores a três meses: alguém com um visto de estudo para a Bélgica só pode estudar na Bélgica. No caso do Reino Unido, que já regulamentava seus vistos independente das regras da União Europeia, nada mudará. Os brasileiros que quiserem estudar ou trabalhar no Reino Unido terão que continuar pedindo vistos específicos para a embaixada britânica.
Já os brasileiros com cidadania europeia terão até o fim do período de transição (31 de dezembro de 2020) para poder viajar ao Reino Unido para estudar ou trabalhar livremente. Depois dessa data, ainda não estão claras quais serão as regras.
O que muda de imediato com o Reino Unido saindo da União Europeia?
Nada! Pelo menos a princípio. Para o resto de 2020, livre comércio e livre circulação entre o Reino Unido e a UE continuará igual. O Reino Unido ainda contribuirá para o pagamento das despesas da UE.
E ainda terá que respeitar as leis e regulamentações do bloco – mesmo que os membros britânicos do Parlamento Europeu tenham feito as malas e perdido a voz na maneira como essas leis são determinadas.
A maior sacudida da política britânica em uma geração não será sentida pela maioria das pessoas até o final de um período de transição de 11 meses. É aí que todos verão uma profunda mudança no relacionamento do Reino Unido com a Europa e o mundo. E ainda há muito a ser ordenado de vez em quando.
O impacto econômico será grande, e deve ser sentido por toda a Europa – por isso a importância e a urgência na negociação de acordos comerciais.
Fish and chips está garantido?
É tudo sobre bacalhau. Os pescadores britânicos e as pessoas que os amam vêm discutindo há anos sobre frotas irlandesas, francesas e dinamarquesas que exploram as ricas águas britânicas.
A pesca representa uma pequena porcentagem – um mero peixinho – do Produto Interno Bruto do Reino Unido, e emprega apenas 24.000 pessoas. Mas a questão é altamente emocional, despertando fervor nacionalista.Johnson prometeu que o Reino Unido irá recuperar sua “espetacular riqueza marítima”. Enquanto isso, o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, alertou a BBC na segunda-feira:
“Você pode ter que fazer concessões em áreas como a pesca para obter concessões de nós em áreas como serviços financeiros” em um acordo comercial pós-Brexit.
*Com informações do Estadão Conteúdo
