O espaço continua surpreendendo os cientistas, e o telescópio espacial Hubble ajuda a revelar alguns de seus fenômenos mais intrigantes. Em 2026, novas imagens e estudos destacaram nebulosas, galáxias pouco luminosas e estrelas com características incomuns.
As observações também ajudaram pesquisadores a investigar a evolução de estrelas, galáxias e estruturas que guardam pistas sobre a história do Universo.
Nebulosa Trífida revela estrelas jovens
Em abril, o Hubble apresentou uma nova imagem de uma região da Nebulosa Trífida, localizada a aproximadamente 5 mil anos-luz da Terra, na constelação de Sagitário.
O registro marcou o 36º aniversário do telescópio e destacou uma região de formação estelar. A imagem também permite observar mudanças em estruturas cósmicas ao longo do tempo.
Galáxia escura CDG-2 pode ser dominada por matéria escura
Uma das descobertas mais intrigantes envolve a CDG-2, uma galáxia extremamente discreta que pode ter cerca de 99% de sua massa composta por matéria escura.
Os pesquisadores identificaram o objeto por meio de quatro aglomerados globulares, conjuntos densos de estrelas. A galáxia emite uma quantidade muito pequena de luz, equivalente à de aproximadamente 1 milhão de sóis.
O achado ajuda a investigar galáxias difíceis de detectar pelos métodos convencionais e amplia o conhecimento sobre a matéria escura.
Nebulosa do Caranguejo mostra os efeitos de uma explosão estelar
Em março, o Hubble voltou sua atenção para a Nebulosa do Caranguejo, remanescente de uma supernova observada por astrônomos em 1054.
Localizada a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, a estrutura continua se expandindo após a explosão de uma estrela. Ao comparar observações separadas por 25 anos, os cientistas conseguiram acompanhar a transformação dos filamentos de gás.
O estudo mostra que os restos de uma explosão estelar continuam mudando mesmo quase mil anos depois do evento.
Cloud-9: uma nuvem sem estrelas
A Cloud-9 chamou a atenção por ser uma nuvem rica em gás e matéria escura que não apresenta estrelas detectáveis.
Os cientistas consideram o objeto um possível vestígio das primeiras etapas da formação de galáxias. Sua existência oferece uma oportunidade para estudar estruturas que não conseguiram formar estrelas.
Nebulosa do Ovo registra os últimos momentos de uma estrela
A aproximadamente mil anos-luz da Terra, a Nebulosa do Ovo apresenta uma combinação de luz e sombras produzida por material expelido por uma estrela em evolução.
Uma densa nuvem de poeira esconde a estrela central, enquanto a luz ilumina as estruturas ao redor. A observação ajuda os astrônomos a compreender como estrelas liberam matéria e transformam o ambiente cósmico durante sua evolução.
Saturno apresenta uma estrutura de dez lados
Observações divulgadas em setembro revelaram uma estrutura atmosférica com dez lados ao redor do polo sul de Saturno.
O fenômeno lembra o famoso hexágono localizado no polo norte do planeta, mas apresenta diferenças importantes. Os pesquisadores investigam como essa configuração se desenvolve e o que ela revela sobre a dinâmica da atmosfera saturniana.
Hubble encontra pistas sobre o passado da Via Láctea
Em agosto, dados do Hubble forneceram evidências de que uma galáxia anã se fundiu com a jovem Via Láctea durante as primeiras etapas de sua evolução.
A descoberta ampliou em aproximadamente 1,8 bilhão de anos o período conhecido da história de nossa galáxia, ajudando a explicar como ela cresceu ao longo do tempo.
Estrelas retardatárias azuis parecem mais jovens
As chamadas estrelas retardatárias azuis parecem mais quentes, brilhantes e jovens do que outras estrelas de aglomerados antigos, embora tenham idade semelhante.
Ao analisar observações de 48 aglomerados globulares, os pesquisadores encontraram mais de 3 mil desses objetos. Os resultados indicam que muitas dessas estrelas surgem de interações entre estrelas de sistemas binários, nos quais uma pode transferir matéria para a outra ou as duas podem se fundir.
O ambiente também influencia esse processo: aglomerados menos densos favorecem a sobrevivência desses pares estelares.
Como o Hubble contribui para a astronomia
Em órbita acima da atmosfera terrestre, o Hubble observa o Universo sem parte das distorções que afetam os telescópios instalados no solo.
Suas imagens ajudam a acompanhar transformações cósmicas e a investigar fenômenos que vão da evolução estelar à formação de galáxias. Em conjunto com outros observatórios, como o James Webb, o telescópio amplia a compreensão dos cientistas sobre a origem e a evolução do Universo.






