Dois homens separados por mais de 14 mil quilômetros, mas unidos por uma coincidência difícil de repetir. O brasileiro João Marinho Neto completou 114 anos no mesmo dia em que o australiano Ken Weeks chegou aos 113.
Os dois nasceram em 5 de outubro, com exatamente um ano de diferença. Além da data de aniversário, eles dividem outro feito: João é reconhecido como o homem vivo mais velho do mundo, enquanto Ken aparece logo atrás, na segunda posição.
Aniversário uniu os dois homens mais velhos do mundo
A coincidência ganhou uma homenagem especial em 2026. João e Ken apareceram segurando cartazes feitos à mão com felicitações um para o outro, apesar de viverem em lados praticamente opostos do planeta.
A troca de mensagens foi organizada pela LongeviQuest com ajuda das famílias. Segundo a organização, foi a primeira comunicação documentada entre o homem mais velho e o segundo homem mais velho vivos.
João nasceu em 5 de outubro de 1912, em Maranguape, no Ceará. Um ano depois, exatamente em 5 de outubro de 1913, nascia Ken Weeks, que atualmente vive no estado de Nova Gales do Sul, na Austrália.
Cearense começou a trabalhar ainda criança
Muito antes de aparecer em rankings de longevidade, João levava uma vida ligada ao campo. Filho de agricultores, ele deixou Maranguape ainda pequeno quando a família se mudou para uma região rural de Apuiarés, também no Ceará.
Por volta dos quatro anos, já acompanhava o pai nas atividades da propriedade. Entre as tarefas estavam cuidar do gado e colher frutas, rotina que marcou os primeiros anos de uma trajetória que atravessaria mais de um século.

Ao longo da vida, João formou uma grande família. Teve sete filhos com Josefa Albano dos Santos e Antonia Rodrigues Moura e viu nascer várias gerações de descendentes.
Brasileiro assumiu recorde mundial em 2024
João passou a ser reconhecido como o homem vivo mais velho do mundo em novembro de 2024, após a morte do britânico John Tinniswood. A confirmação oficial do Guinness World Records ocorreu naquele mesmo mês.
A marca também colocou João entre os homens que alcançaram as maiores idades já documentadas. Chegar aos 114 anos é especialmente incomum entre pessoas do sexo masculino.
Recorde masculino ainda pertence a japonês
Apesar do feito, João ainda precisa superar uma marca histórica para se tornar o homem mais longevo já documentado.
O recorde pertence ao japonês Jiroemon Kimura, que morreu em 2013 depois de alcançar 116 anos e 54 dias.
Por que homens de 114 anos são tão raros?
Nas idades mais avançadas, mulheres aparecem em quantidade muito maior que homens. Essa diferença de longevidade é observada em praticamente todo o mundo e costuma resultar de uma combinação de fatores biológicos, comportamentais e sociais.
Entre as possíveis explicações estão os efeitos protetores do estrogênio sobre o sistema cardiovascular e diferenças genéticas ligadas aos cromossomos sexuais. Homens também apresentam, em média, maior incidência precoce de doenças cardiovasculares e alguns hábitos associados a maior risco de morte.
Além da biologia, pesquisadores apontam fatores comportamentais. Em diversas populações, homens historicamente fumaram e consumiram álcool em maior proporção, estiveram mais expostos a trabalhos perigosos e acidentes e procuraram atendimento médico preventivo com menor frequência.






