Serpente salta de árvores e achata o próprio corpo para planar pelo ar sem asas e percorrer distâncias longas entre galhos na floresta asiática

Encontradas no sul e no sudeste da Ásia, as serpentes do gênero Chrysopelea achatam o corpo e fazem movimentos ondulatórios para atravessar o ar sem asas

chrysopelea, cobra-voadora

Espécie consegue planar entre árvores sem possuir asas ou patas/Alan Couch/Wikimedia Commons

Imagine uma serpente que abandona um galho, se lança no vazio e atravessa o ar até alcançar outra árvore. Embora pareça uma cena de filme, esse comportamento existe na natureza.

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Conhecidas como serpentes voadoras, as cobras do gênero Chrysopelea desenvolveram uma habilidade incomum: conseguem planar entre árvores sem possuir asas ou patas.

Esses répteis vivem em regiões do sul e do sudeste da Ásia. A capacidade de se deslocar pelo ar permite atravessar espaços entre galhos sem precisar descer até o chão.

Apesar do nome popular, porém, elas não voam como as aves. O movimento é um planeio controlado, que utiliza a altura inicial para percorrer uma distância horizontal enquanto o animal perde altitude.

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Serpente voadora transforma o próprio corpo

O segredo dessa habilidade está na anatomia do animal. Durante o salto, a serpente espalha as costelas lateralmente e achata o corpo, modificando seu formato habitual.

A transformação aumenta a superfície corporal que interage com o ar. Dessa maneira, o tronco passa a funcionar como uma estrutura aerodinâmica capaz de produzir sustentação.

Um estudo publicado em 2014 no periódico científico Journal of Experimental Biology investigou justamente esse mecanismo. Os pesquisadores analisaram como o formato do corpo da serpente-do-paraíso (Chrysopelea paradisi) contribui para o planeio.

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A pesquisa mostrou que a forma assumida pelo tronco favorece a sustentação aerodinâmica, ajudando o animal a avançar horizontalmente durante a descida.

Ao contrário de um paraquedas, que reduz principalmente a velocidade da queda, o corpo da serpente também contribui para controlar a trajetória. Assim, ela consegue aproveitar a altura para alcançar outro ponto da vegetação.

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Movimentos ondulatórios ajudam a controlar o deslocamento

A transformação do corpo não explica tudo. Durante o planeio, a serpente também realiza movimentos ondulatórios, que lembram os de um animal nadando.

As ondulações percorrem o corpo e ajudam a manter a estabilidade durante a travessia. Com isso, o réptil consegue controlar melhor sua orientação enquanto se desloca pelo ar.

Uma pesquisa publicada em 2020 na revista Nature Physics investigou a função desses movimentos. Os cientistas combinaram registros de serpentes planando com modelos matemáticos tridimensionais.

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Os resultados indicaram que as ondulações ajudam a estabilizar a rotação do corpo e melhoram o desempenho do planeio. Nas simulações sem esses movimentos, a serpente apresentava maior instabilidade.

A descoberta revelou que a habilidade depende da combinação de diferentes mecanismos. O corpo achatado favorece a sustentação, enquanto os movimentos ondulatórios contribuem para o controle da trajetória.

Qual distância a cobra consegue percorrer pelo ar?

A distância depende de fatores como a altura do salto, o tamanho do animal e as condições do deslocamento.

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Em um estudo publicado em 2005, pesquisadores analisaram saltos da Chrysopelea paradisi a partir de um ponto situado a aproximadamente 9,6 metros de altura.

Nos registros, as serpentes percorreram, em média, cerca de 10 metros na horizontal. O resultado demonstrou que esses animais conseguem atravessar espaços consideráveis entre pontos da vegetação.

O planeio, entretanto, sempre envolve perda de altitude. Diferentemente das aves, essas serpentes não conseguem bater asas para ganhar altura ou permanecer voando indefinidamente.

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A habilidade pode facilitar o deslocamento entre árvores e contribuir para escapar de ameaças. Ainda assim, cada travessia depende das condições disponíveis no ambiente.

Onde vivem as serpentes voadoras?

As espécies do gênero Chrysopelea ocorrem principalmente no sul e no sudeste da Ásia. Elas apresentam hábitos arborícolas e utilizam a vegetação como espaço para se deslocar e procurar alimento.

Uma das espécies mais conhecidas é a serpente-do-paraíso, que apresenta padrões coloridos pelo corpo, com combinações de verde, preto, amarelo e laranja.

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A aparência varia conforme a espécie. No entanto, a característica mais surpreendente está na capacidade de modificar o formato corporal e combinar essa transformação com movimentos precisos.

O fenômeno demonstra como a evolução pode favorecer formas incomuns de locomoção. Sem asas ou membros especializados para voar, essas serpentes utilizam a própria anatomia para aproveitar o espaço entre as árvores.

Para observar esse comportamento, vídeos científicos e registros feitos por pesquisadores ajudam a revelar detalhes difíceis de perceber a olho nu. Em câmera lenta, é possível acompanhar a abertura das costelas e as ondulações durante o deslocamento.

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Embora impressionante, a habilidade não representa uma ameaça específica às pessoas. Ao encontrar uma serpente na natureza, o recomendado é manter distância e não tentar capturá-la ou provocar um salto.