Uma greve geral convocada por grupos indígenas que se opõem ao presidente do Equador, Lenín Moreno, provocou o bloqueio de estradas, paralisações no transporte público e o fechamento do comércio em Quito e outras cidades do país
nesta quarta-feira.
A Confederação Nacional Indígena do Equador (Conaie) reuniu 6 mil indígenas nos arredores da capital equatoriana para pedir a renúncia de Moreno. Eles marcharam de pontos da Amazônia e da Cordilheira dos Andes em protesto contra as reformas econômicas de Moreno, que levaram ao aumento de 123% no preço dos
combustíveis.
Em Guayaquil, para onde transferiu a sede do governo depois de decretar estado de exceção em consequência dos protestos, Moreno descartou renunciar e revogar as medidas, anunciadas após um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 42 bilhões.
O presidente também rejeitou diálogo com os grupos indígenas.
“Não tenho motivos para renunciar pois estou tomando as decisões corretas”, disse Moreno.
Revolta contra FMI.
Na manhã de ontem, os militares, que apoiam Moreno, pediram que a greve ocorra sem violência. Nos últimos dias, ao menos 700 pessoas foram presas nos protestos contra o presidente, que assumiu o governo em 2017 e se distanciou do padrinho político, o ex-presidente Rafael Correa, ao adotar uma política econômica
pró-mercado.
A Conaie acusou o governo de atuar como uma ditadura militar ao reprimir os protestos. Na noite desta terça-feira, 8, o presidente decretou toque de recolher em alguns bairros de Quito que abrigam prédios públicos, depois de um grupo de manifestantes ter invadido a Assembleia Nacional.
“O governo tem dado dinheiro aos bancos e punido os equatorianos mais pobres”, disse o presidente da Frente Unida dos Trabalhadores Messias Tatamuez, um dos sindicatos que apoia a paralisação. “Pedimos que todos que sejam contra o FMI, o responsável pela crise, que se juntem à greve.”(EC)
