O Brasil registrou 4,12 milhões de licenças médicas concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2025, o maior volume de afastamentos dos últimos cinco anos.
O indicador atinge trabalhadores com carteira assinada em empresas de diferentes portes, impulsionado pelo desgaste físico contínuo em funções operacionais e pela sobrecarga em escritórios e no comércio.
O avanço conjunto de problemas ergonômicos e diagnósticos emocionais elevou os custos da Previdência Social e motivou a alteração de regras pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Problemas de coluna e articulações lideram afastamentos do trabalho
As lesões na coluna e nas articulações concentram o maior volume de registros no órgão previdenciário. Dores nas costas motivaram 237.113 licenças ao longo do ano, enquanto problemas nos discos intervertebrais somaram 208.727 autorizações.
Completam a lista das causas físicas mais frequentes as lesões no ombro, como tendinites e síndrome do impacto, com mais de 135 mil ocorrências confirmadas no período.
Afastamentos por saúde mental crescem e batem recorde
Os diagnósticos de saúde mental registraram a maior taxa de crescimento entre os motivos de licença médica em 2025. O INSS contabilizou mais de 546 mil afastamentos por problemas emocionais e psicológicos, volume 15% superior ao ano anterior e 88% acima do total apurado em 2023.
A ansiedade motivou 166.489 licenças no período, enquanto a depressão respondeu por 126.608 casos. Já a Síndrome de Burnout somou 7.595 licenças no mesmo ano, representando um salto significativo em relação aos anos anteriores.
O resultado é reflexo da inclusão do esgotamento profissional na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Especialistas alertam que identificar sintomas discretos de esgotamento na rotina profissional é fundamental para buscar auxílio especializado antes do afastamento definitivo.
Mulheres e funções operacionais concentram maior impacto financeiro
Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que 63,4% das licenças por quadros psicológicos atingem mulheres. A acentuada dupla jornada entre o trabalho formal e os afazeres domésticos é apontada como fator central para o desgaste do grupo.
As profissões com maior volume de casos incluem vendedores do comércio, faxineiros, professores, enfermeiros, auxiliares de escritório e trabalhadores de linhas de produção. A concentração ocorre prioritariamente em funções com baixa autonomia, metas rígidas e alta rotatividade.
Atualmente, o INSS repassa mais de R$ 3,5 bilhões por ano para o pagamento de benefícios ligados a diagnósticos mentais. O tempo médio de afastamento nessas condições é de 90 dias.
Regras da NR-1 exigem controle de riscos psicológicos nas empresas
As atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, impuseram novas obrigações ao mercado corporativo. Com a alteração, tornou-se exigência legal a criação de medidas para preservar o bem-estar psicológico dos empregados no ambiente corporativo.
Em vigor para organizações públicas e privadas, a regra determina a identificação e o combate de fatores geradores de estresse, como jornadas excessivas, metas abusivas e assédio moral. A mudança regulatória atende ao avanço das licenças e ao aumento de ações trabalhistas.
Se antes o mapeamento se restringia a riscos físicos e ambientais, a organização da rotina de trabalho passou a integrar as obrigações legais das companhias. A fiscalização cruza dados do eSocial com os relatórios do INSS para autuar e aplicar penalidades administrativas aos locais que mantêm rotinas nocivas à saúde dos empregados.





