A ascensão da inteligência artificial (IA) no setor jurídico tem provocado debates sobre o futuro das carreiras no Direito. Contudo, longe de eliminar a figura do advogado, a tecnologia chega como uma aliada para encarar um dos maiores desafios do mercado brasileiro: o gigantesco volume de processos. A avaliação é de Lucas Oliveira, advogado tributarista e CEO da Iter, durante participação no programa “Direto da Gazeta”, exibido pela TV GMG.
Segundo Oliveira, a ideia de que a máquina vá ocupar o lugar do profissional é um mito impulsionado pelo receio natural diante de novas revoluções tecnológicas.
“A resposta curta é: não. Não acho que a IA vá substituir o advogado, mas ela vai substituir os trabalhos mecânicos e repetitivos feitos por advogados”, destacou o especialista durante entrevista ao programa da TV GMG.
Para ele, o diferencial humano segue insubstituível na definição de estratégias, no juízo de valor e nas tomadas de decisão que exigem interpretação crítica. Essa divisão de papéis é sintetizada pelo lema de sua empresa: “a máquina prepara e o advogado decide”. Confira entrevista em vídeo abaixo:
Oliveira explica que o próprio Poder Judiciário, incluindo órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os tribunais superiores, já utiliza a inteligência artificial para otimizar triagens e analisar fluxos processuais, sem que isso signifique delegar o poder decisório aos algoritmos. Na prática dos escritórios e departamentos jurídicos de grandes empresas, a automação entra para eliminar gargalos e liberar tempo.
O avanço tecnológico, contudo, traz novos desafios para a formação das novas gerações de profissionais. O fundador da Iter ressalta a importância de treinar recém-formados para que não se tornem meros executores de comandos em softwares, mas que mantenham a bagagem técnica necessária para revisar e criticar o material gerado pela IA.










