Diante do aumento constante nas tarifas de energia elétrica, a geração própria de eletricidade por meio de painéis solares passou a ser uma alternativa buscada por milhões de brasileiros.
A modalidade de microgeração distribuída (sistemas de até 75 kW) já está em 5 milhões de imóveis no País, com valores entre R$ 12 e R$ 15 mil para um sistema com oito a dez placas solares.
Antes de aderir à tecnologia, contudo, é fundamental entender todas as despesas envolvidas, desde o projeto inicial até as taxas mensais obrigatórias.
Valor para montar uma estrutura fotovoltaica
O orçamento total para adotar a energia solar depende do tamanho do imóvel, do tipo de tecnologia escolhida e da capacidade necessária para abastecer a rotina familiar.
Para atender uma casa padrão com consumo mensal entre 450 e 500 kWh, o investimento necessário para adquirir e instalar um sistema, incluindo o processo de conexão à rede varia de R$ 12 mil a R$ 15 mil.
A engenheira Adriana Peixoto e o empresário Cleto Becker, em matéria publicada pelo portal ‘Zero Hora’, dizem que esse dimensionamento é o adequado para residências com uso frequente de equipamentos de alto consumo, como ar-condicionado e chuveiro elétrico.
A grande vantagem é que o investimento pode ser recuperado em cerca de quatro anos e entrega uma redução de até 85% nos gastos com eletricidade ao longo de sua vida útil.
Quais taxas continuam na conta de luz
Um dos equívocos mais comuns entre os consumidores é acreditar que a fatura de luz deixará de existir após a instalação das placas solares. Como a casa permanece conectada à rede elétrica tradicional para enviar energia de dia e receber à noite, a distribuidora continua cobrando alguns itens essenciais:
Taxa mínima de conexão: valor fixo obrigatório referente ao custo de disponibilidade da rede.
Iluminação pública: contribuição municipal cuja cobrança segue as regras estabelecidas pelo município.
Impostos incidentes: cobrança de PIS, COFINS e ICMS sobre a parcela de energia consumida da distribuidora. Em alguns estados, há isenções fiscais sobre a Tarifa de Energia e sobre os créditos compensados.
Taxa do sol, como é popularmente chamada a cobrança pelo Fio B: tarifa que remunera o uso das linhas de distribuição para transportar a energia excedente injetada pelo consumidor.
Como funciona a cobrança sobre a energia excedente
Quando as placas produzem mais eletricidade do que a casa consome, o excesso é lançado na rede da concessionária e transformado em créditos para abater contas futuras. Com o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022), quem homologou o sistema a partir de 2023 paga uma taxa gradual pelo uso dessa infraestrutura.
Essa cobrança começou em 15% em 2023, subiu para 30% em 2024, alcançou 45% em 2025 e passou para 60% em 2026. O percentual chegará a 75% em 2027 e a 90% em 2028.
Para calcular a cobrança pelo uso da rede, é necessário considerar o percentual do Fio B previsto para o ano, aplicado conforme as regras tarifárias estabelecidas pela ANEEL.
O valor depende da tarifa vigente para a unidade consumidora e da quantidade de energia elétrica ativa compensada, além dos demais critérios definidos pela regulamentação.
Por fim, os especialistas lembram que a manutenção preventiva deve fazer parte da rotina do imóvel. Uma limpeza anual das placas e a revisão técnica dos equipamentos custam em média R$ 240 por ano em sistemas de oito módulos, garantindo que os painéis continuem operando em capacidade máxima por décadas.







