Japão permite embriões híbridos entre humanos e animais, e cientistas elevam a taxa de sucesso para 73%

Sete anos após autorização histórica, pesquisadores identificaram barreira biológica que dificultava o desenvolvimento de órgãos em animais

Pesquisadores japoneses avançam em experimentos com embriões de diferentes espécies para desenvolver órgãos destinados a futuros transplantes (Foto: Universidade de Crambridge / YouTube)

Pesquisadores japoneses avançam em experimentos com embriões de diferentes espécies para desenvolver órgãos destinados a futuros transplantes (Foto: Universidade de Crambridge / YouTube)

O Japão abriu caminho para uma das experiências mais controversas da medicina ao permitir, em 2019, o desenvolvimento de embriões de animais com células humanas, conhecidos como quimeras. Sete anos depois, essa experiência continua evoluindo.

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Em outubro de 2026, pesquisadores anunciaram que conseguiram reduzir uma barreira imunológica que dificultava a formação desses órgãos. Em testes com ratos e camundongos, a taxa de sucesso na criação de pâncreas passou de 38% para 73%, o que pode revolucionar a medicina e salvar vidas.

Japão autorizou criação de híbridos em 2019

A mudança começou em março de 2019, quando o governo japonês flexibilizou regras que impediam o desenvolvimento de embriões animais contendo células humanas por mais de 14 dias e sua implantação em fêmeas para gestação.

Com a autorização, o pesquisador Hiromitsu Nakauchi, ligado às universidades de Tóquio e Stanford, recebeu apoio para desenvolver experimentos envolvendo células-tronco humanas introduzidas em embriões de roedores.

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O objetivo era criar animais capazes de desenvolver órgãos compostos por células de outra espécie. A proposta previa começar com ratos e camundongos antes de avançar para porcos, cujos órgãos apresentam dimensões mais próximas das humanas.

Esses órgãos criados em outras espécies, utilizando células humanas, seriam compatíveis com o ser humano. Dessa maneira, a criação de quimeras permitiria a produção laboratorial desse material para transplantes.

Sucesso dobra em 2026

Uma atualização anunciada em 13 de outubro de 2026 pela universidade japonesa Science Tokyo revelou um dos principais obstáculos enfrentados pelos cientistas durante esses experimentos.

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A equipe liderada por Nakauchi descobriu que células de defesa presentes nos embriões identificavam e eliminavam células provenientes de outras espécies, mesmo quando elas ainda estavam vivas e saudáveis.

Os pesquisadores chamaram o processo de xenofagocitose. Ele ocorre quando macrófagos, células responsáveis por eliminar materiais estranhos, reconhecem células de outra espécie e passam a destruí-las.

Nos experimentos com células de ratos introduzidas em camundongos, a taxa de sucesso na formação de pâncreas subiu de 38% para 73%. Os órgãos também apresentaram crescimento maior após a intervenção.

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A equipe realizou testes com células humanas em embriões de camundongos e observou maior integração celular quando a barreira imunológica foi reduzida. Entretanto, os experimentos ainda não produziram órgãos humanos completos.