Pesquisadores japoneses avançam em experimentos com embriões de diferentes espécies para desenvolver órgãos destinados a futuros transplantes (Foto: Universidade de Crambridge / YouTube)
O Japão abriu caminho para uma das experiências mais controversas da medicina ao permitir, em 2019, o desenvolvimento de embriões de animais com células humanas, conhecidos como quimeras. Sete anos depois, essa experiência continua evoluindo.
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Em 1978, o nascimento de Louise Brown mudou a medicina para sempre. Pela primeira vez, um bebê veio ao mundo após a fertilização de um óvulo em laboratório (Foto: Galina Fomina / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)O que antes parecia impossível aconteceu em 1998, quando James Thomson conseguiu cultivar células-tronco embrionárias humanas capazes de originar diferentes tecidos do corpo (Foto: Ryddragyn / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)Células adultas ganharam uma segunda chance em 2007. Cientistas japoneses descobriram como reprogramá-las para um estado semelhante, mas sem precisar utilizar embriões (Foto: Divulgação / ISSCR)Pequenas estruturas semelhantes a cérebros humanos surgiram em laboratório em 2013. Os chamados organoides cerebrais permitiram investigar o desenvolvimento neural e doenças (Foto: Divulgação / IMBA / Knoblich Lab)Em 2015, a edição genética ultrapassou uma nova fronteira. Cientistas chineses utilizaram a técnica CRISPR-Cas9 para modificar o DNA de embriões humanos inviáveis (Foto: Divulgação / Zeiss)O encontro entre células humanas e embriões de camundongos ganhou destaque em 2016, quando cientistas demonstraram sua integração em estruturas quiméricas cultivadas em laboratório (Foto: Divulgação / Zhixing Hu)Porcos entraram na corrida pela criação de órgãos em 2017. Pesquisadores introduziram células humanas em embriões suínos, buscando abrir caminho para futuros transplantes (Foto: Nesssia / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)Em 2021, cientistas criaram blastoides, modelos semelhantes a embriões humanos iniciais produzidos com células-tronco, para investigar os primeiros estágios da vida (Foto: Nicolas Rivron / Wikimedia Commons)A ciência foi ainda mais longe em 2021, quando células-tronco humanas foram introduzidas em embriões de macacos, que permaneceram em desenvolvimento laboratorial por até 20 dias (Foto: Basile Morin / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)Rins parcialmente humanos começaram a se formar em embriões de porcos em 2023. As estruturas renais chegaram a apresentar entre 50% e 65% de células humanas, mas ainda eram imaturas (Foto: Divulgação / Carolina’s Perfect Solution / Imagem IlustrativaUm macaco nascido em 2023 surpreendeu pesquisadores por apresentar células de diferentes embriões da mesma espécie. A experiência representou um avanço na criação de quimeras em primatas (Foto: Cao et al. / Cell)Em 2026, cientistas japoneses elevaram de 38% para 73% o sucesso na formação de pâncreas de ratos em camundongos, após reduzir a eliminação de células entre espécies (Foto: Divulgação / Inserm Valery Gmyr / Imagem Ilustrativa)
Em outubro de 2026, pesquisadores anunciaram que conseguiram reduzir uma barreira imunológica que dificultava a formação desses órgãos. Em testes com ratos e camundongos, a taxa de sucesso na criação de pâncreas passou de 38% para 73%, o que pode revolucionar a medicina e salvar vidas.
Japão autorizou criação de híbridos em 2019
A mudança começou em março de 2019, quando ogoverno japonês flexibilizou regras que impediam o desenvolvimento de embriões animais contendo células humanas por mais de 14 dias e sua implantação em fêmeas para gestação.
Com a autorização, o pesquisador Hiromitsu Nakauchi, ligado às universidades de Tóquio e Stanford, recebeu apoio para desenvolver experimentos envolvendo células-tronco humanas introduzidas em embriões de roedores.
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O objetivo era criar animais capazes de desenvolver órgãos compostos por células de outra espécie. A proposta previa começar com ratos e camundongos antes de avançar para porcos, cujos órgãos apresentam dimensões mais próximas das humanas.
Esses organismos são conhecidos como quimeras, pois reúnem células de espécies diferentes (Foto: Reprodução / Artigo / ETH Zurique)
Esses órgãos criados em outras espécies, utilizando células humanas, seriam compatíveis com o ser humano. Dessa maneira, a criação de quimeras permitiria a produção laboratorial desse material para transplantes.
Sucesso dobra em 2026
Uma atualização anunciada em 13 de outubro de 2026 pela universidade japonesa Science Tokyo revelou um dos principais obstáculos enfrentados pelos cientistas durante esses experimentos.
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A equipe liderada por Nakauchi descobriu que células de defesa presentes nos embriões identificavam e eliminavam células provenientes de outras espécies, mesmo quando elas ainda estavam vivas e saudáveis.
Os pesquisadores chamaram o processo de xenofagocitose. Ele ocorre quando macrófagos, células responsáveis por eliminar materiais estranhos, reconhecem células de outra espécie e passam a destruí-las.
Ao utilizar técnicas genéticas para reduzir esse mecanismo, os cientistas conseguiram aumentar a permanência das células introduzidas nos embriões (Foto: NIAID / Wikimedia Commons)
Nos experimentos com células de ratos introduzidas em camundongos, a taxa de sucesso na formação de pâncreas subiu de 38% para 73%. Os órgãos também apresentaram crescimento maior após a intervenção.
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A equipe realizou testes com células humanas em embriões de camundongos e observou maior integração celular quando a barreira imunológica foi reduzida. Entretanto, os experimentos ainda não produziram órgãos humanos completos.