Lula se reúne com Lira após fala de deputado sobre falta de base na Câmara

O jantar foi marcado de último minuto, e ocorreu fora da agenda das autoridades

Incompatibilidade de agendas não permitiu a definição sobre quem ocupará as pastas desejadas

Na última segunda-feira (6), Lira disse a empresários em São Paulo que Lula precisa de tempo para se estabilizar internamente | Sergio Lima/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na noite desta quinta-feira (9) com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). O encontro ocorreu três dias após o deputado afirmar que o petista não tem votos no Congresso para aprovar reformas econômicas. 

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O jantar foi marcado de último minuto, e ocorreu fora da agenda das autoridades na casa do ministro Paulo Pimenta (Secom), no lago Norte, reunião nobre de Brasília. 

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Além do próprio Pimenta, também participaram os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais). O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), também compareceu. 

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O evento começou por volta das 20h. Pouco antes das 23h Lula, Guimarães e Padilha deixaram o local separadamente. 

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Na última segunda-feira (6), Lira disse a empresários em São Paulo que Lula precisa de tempo para se estabilizar internamente, organizar uma base parlamentar e encontrar um rumo para tocar suas pautas na área econômica no Congresso. Ele participou de encontro com o conselho político e social da Associação Comercial de São Paulo. 

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O presidente da Câmara disse ainda que o petista foi eleito democraticamente, mas com uma margem mínima de votos, e que o governo não tem apoio no Legislativo nem para aprovar leis por maioria simples, muito menos para avançar em matérias constitucionais, como é o caso da reforma tributária. 

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“Temos um governo que foi eleito com margem de votos mínima e que precisa entender que temos Banco Central independente, agências reguladoras, Lei das Estatais e um Congresso com atribuições mais amplas”, afirmou Lira, indicando que Lula terá dificuldade para rever qualquer um desses temas. 

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Até o momento o petista tem apoio de 223 parlamentares que integram partidos aliados, menos da metade do total de deputados da Casa. São da oposição 102 deputados e 188 se declaram independentes, entre eles parlamentares da União Brasil–que indicou três nomes para o ministério de Lula. 

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Com isso, membros do governo evitam projetar sobre o tamanho da base de apoio que terá no Congresso Nacional e trabalham para atrair legendas e parlamentares. 

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Como a reportagem da Folha de S. Paulo mostrou, a montagem da base envolve a negociação com grupo de parlamentares de partidos que não são formalmente aliados, principalmente do centrão. Segundo relatos, há uma potencial bancada paralela pró-petista em torno de 70 deputados e 10 senadores. 

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Mais cedo nesta quinta, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede), afirmou a jornalistas que concorda com a declaração de Lira de que o Executivo federal ainda não tem uma base consolidada. 

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“No Senado, houve um teste de base. Nós consolidamos nossa base de 49, eu acho que nós podemos chegar até a 55 senadores. Na Câmara não. Houve um grande acordo em torno do presidente Lira [na eleição em fevereiro]. Então agora nós temos que dar o passo adiante, consolidar base na Câmara”, disse.