Memória: a história do Theatro Municipal, que faz 110 anos em setembro

Aberto para o público no dia 12 de setembro de 1911, prédio do Theatro Municipal de São Paulo foi o primeiro a ser totalmente abastecido por energia elétrica

Parte interna do Theatro Municipal de São Paulo, no centro da cidade ; local foi aberto para o público em setembro de 1911

Parte interna do Theatro Municipal de São Paulo, no centro da cidade ; local foi aberto para o público em setembro de 1911 | / Fátima Gilberti

No final do século 19, durante a Primeira República e influenciado pela Belle Epóque europeia (movimento que valorizava cores vivas, curvas sinuosas e ornamentos) surge na cidade de São Paulo, mais especificamente na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista, um dos mais importantes teatros do Brasil: o Theatro Municipal de São Paulo.

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O edifício, tombado pelo patrimônio histórico desde 1981, demorou oito anos para ser entregue e foi assinado pelo escritório Ramos de Azevedo, em colaboração com os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi, sendo inaugurado no dia 12 de setembro de 1911.

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“A luxuosa construção, visivelmente influenciada por teatros de ópera da Europa, foi erguida como símbolo aspiracional da alta sociedade paulistana, que com a fartura do ciclo do café desejava uma casa de espetáculos à altura de suas posses e pretensões europeias para receber os grandes artistas da música lírica e do teatro”, explicou, por meio de nota, o Theatro, cujo prédio foi o primeiro da cidade a ser totalmente abastecido por energia elétrica.

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Apresentações marcantes
A primeira apresentação encenada do Theatro Municipal foi a ópera de Hamlet, de Ambrósio Thomas, apresentada para ilustres convidados diante de uma multidão de 20 mil pessoas do lado de fora, deslumbradas com a luxuosa construção.

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Uma década depois, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, o local sediou uma das principais manifestações artísticas ocorridas no Brasil, a Semana de Arte Moderna, que teve em Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade e Oswald Andrade seus principais representantes.

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Durante os setes dias da semana, o Theatro Municipal recebeu exposições, palestras, além de apresentações de música e poesia, entre outros, que deram origem ao Movimento Modernista, que tinha como objetivo valorizar o Brasil e sua produção cultural.

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No decorrer de seus mais de 100 anos, o Municipal recebeu diversas apresentações marcantes, como Maria Callas, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Ella Fitzgerald, Baryshnikov, entre outros. Mais recentemente, em 2019, um show do rapper Emicida para o lançamento do álbum “AmarElo” gerou burburinho na cena cultural.

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“Muito importante trazer um concerto de rap para cá (…). Isso aqui é o resultado do sonho coletivo de muita gente. Essa conquista é o que anistia o espírito de quem veio antes de nós e sofreu”, disse Emicida na época, ao jornal Folha de S. Paulo.

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De orquestra a bar
Além de receber espetáculos, o Theatro Municipal possui duas principais frentes educativas: a Escola de Dança de São Paulo e a Escola Municipal de Música, inauguradas em 1940 e 1969, respectivamente, abrigando os grupos artísticos Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, Balé da Cidade de São Paulo, Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, Coral Lírico e Coral Paulistano.

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No prédio funciona ainda, desde 2019, no subsolo, o Bar dos Arcos, empreendimento idealizado pelo empresário Facundo Guerra, que obteve a concessão do local.

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Pandemia
Assim como ocorreu com outras instituições culturais, o Theatro Municipal fechou as portas em março de 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus. As atividades presenciais voltaram somente no fim de junho, quando a instituição anunciou a temporada de seus grupos artísticos até o fim do ano. Atualmente, o Theatro Municipal de São Paulo segue funcionando com 30% de sua capacidade total para receber o público.