Milícia domina área onde prédios desabaram no Rio

comunidade. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, área de desabamento é dominada por milícia de amigo de Queiroz

Desabamento de dois prédios em Muzema na manhã de sexta-feira deixou ao menos três mortos

Desabamento de dois prédios em Muzema na manhã de sexta-feira deixou ao menos três mortos | /jose lucena/Futura Press/Folhapress

O bairro onde ocorreu o desabamento de dois prédios na manhã de sexta-feira é área de atuação da milícia comandada, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, pelo ex-policial militar Adriano da Nóbrega.

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Foragido há quase três meses, ele foi companheiro de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), no 18º Batalhão da PM e tinha a mãe e a filha nomeadas no gabinete do senador quando este exercia mandato na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

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Queiroz, investigado por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, assumiu ser o responsável pela indicação dos parentes de Adriano para o gabinete de Flávio. Adriano está foragido desde a Operação “Os Intocáveis”, deflagrada em janeiro deste ano. Ele é acusado de comandar a milícia das comunidades de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste da cidade.

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A Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que o grupo paramilitar dificulta a atuação de fiscais do município na região. Segundo a gestão Marcelo Crivella (PRB), os dois imóveis que desabaram são irregulares.

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Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos cinco pessoas morreram, com identidades ainda desconhecidas, dez estão feridas. Os bombeiros ainda procuravam por vítimas sob os escombros na tarde de sexta.

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Por volta das 11h , dois homens chegaram ao hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, a bordo de uma ambulância enlameada: Raimundo Nonato, 41, com escoriações na cabeça, e Luciano Paulo, 38, com escoriações múltiplas. Milícias como a da Muzema costumam ser as responsáveis ou protegem a construção de prédios sem licença dos órgãos públicos. Os novos moradores e comerciantes que ocupam esses edifícios passam a ser nova fonte de renda das quadrilhas.

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“A região é uma APA (Área de Proteção Ambiental) e os prédios ali construídos não respeitam a legislação em vigor. Por se tratar de área dominada por milícia, os técnicos da fiscalização municipal necessitam de apoio da Polícia Militar para realizar operações no local. Foi o que aconteceu em novembro de 2018, quando várias construções irregulares foram interditadas e embargadas pela prefeitura”, afirmou a gestão municipal em nota.

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De acordo com a legislação em vigor, a região só poderia ter casas para uma família, e não prédio com diversas unidades.

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“Na Muzema, as construções não obedecem aos parâmetros de edificações estabelecidos, como afastamento frontal, gabarito, ocupação, número de unidades e de vagas”, diz a prefeitura em nota.

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Denúncia do Ministério Público afirma que Adriano, junto com Maurício da Costa, tinha liderança na exploração dos negócios imobiliários da quadrilha em Rio das Pedras, Muzema, e áreas adjacentes. Em telefonema gravado com autorização da Justiça, Manoel Batista, espécie de administrador da milícia, aponta a ascendência de Adriano no setor. A prefeitura afirmou, em nota, que desde 2005 faz autuações a fim de impedir o crescimento irregular da comunidade. Foram 17 autos de infração desde aquele ano até o momento na região. A defesa de Adriano Nóbrega não havia se manifestado até a tarde de sexta-feira. (FP)