Morre Vital Nolasco, liderança negra que lutou contra ditadura em 64

Vital foi o criador da lei do 'passe livre' para desempregados, entre muitas outras iniciativas

Vital faleceu neste 19 de janeiro, no Hospital Samaritano, em São Paulo

Vital faleceu neste 19 de janeiro, no Hospital Samaritano, em São Paulo | Reprodução/PCdoB

Faleceu nesta quarta-feira (19) Vital Nolasco, uma das mais importantes lideranças negras que lutaram contra o regime miltar de 1964. Ex-vereador da cidade de São Paulo e operário aposentado, ele morreu aos 75 anos, no Hospital Samaritano, onde estava internado há 14 dias para um tratamento de fibrose pulmonar.

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O corpo de Vital será velado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, no bairro da Liberdade, na capital paulista, e será será cremado, conforme seu pedido. O texto conta com informações da Revista Raça.

Mineiro de Belo Horizonte, Eustáquio Vital Nolasco nasceu em 1946 e iniciou seu ativismo político na Juventude Operária Católica (JOC), na qual integrou a resistência ao regime militar (1964-1985). Ele participou de uma das primeiras greves do Brasil a denunciarem a ditadura, a greve dos metalúrgicos de Contagem, em 1968.

Por conta deste episódio, ele teve seu nome “fichado” pelos núcleos de repressão e teve de se mudar para São Paulo. Ainda assim, foi preso e torturado. Depois da JOC, Vital passou a integrar a Ação Popular (AP) e, em 1972, juntou-se ao PCdoB – Partido Comunista do Brasil, ainda clandestinamente. Contribuiu para o Movimento contra a Carestia e, posteriormente, retomou a atividade de operário. Fez parte da oposição e, mais tarde, da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

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O então líder sindical se tornou vereador de São Paulo por dois mandatos (1989-1996), apoiado pelo eleitorado operário, a comunidade negra e de outras frentes que representava. Foi Vital quem criou a lei do “passe livre” para desempregados. Também idealizou uma memorável homenagem ao líder sul-africano Nelson Mandela, que viajou especialmente a São Paulo para participar da sessão solene. Proporcionou reconhecimento também a Maria do Carmo Jerônimo, mulher negra nascida escrava e que à época era a mais velha do mundo.

Já aposentado das fábricas, idealizou diversas iniciativas partidárias. Foi presidente do PCdoB São Paulo (1997), secretário nacional de Movimentos Sociais (1997-2003) e, posteriormente, secretário municipal de Movimento Sindical (2015-2021).

O expoente do movimento negro teve sua biografia lançada em 2016. A obra “Vale a Pena Lutar – Minha Vida na Ação Popular (AP) e no Partido Comunista do Brasil (PCdoB)” teve narração de Vital e organização do jornalista Osvaldo Bertolino. 

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As palavras finais deste livro ilustram a trajetória militante ímpar de Vital. “Tudo que sou devo, além da minha formação familiar e da experiência de vida, ao PCdoB, que me ensinou o valor do humanismo e da solidariedade. Não tenho nenhum arrependimento. Se pudesse voltar atrás, faria tudo de novo; claro que corrigindo alguns detalhes. Diria que valeu e vale a pena lutar.”