Garimpeiro encontrou pedra de 17 kg que pensou ser ouro, mas descobriu ser um meteorito raro de 4,6 bilhões de anos

Pedra encontrada por detector de metais na Austrália resistiu durante anos às tentativas de abri-la e acabou identificada por cientistas

Meteorito de Maryborough pesa 17 quilos e foi encontrado por acaso durante uma busca por ouro (Foto: Wikimedia Commons)

Meteorito de Maryborough pesa 17 quilos e foi encontrado por acaso durante uma busca por ouro (Foto: Wikimedia Commons)

No galpão de casa, David Hole já tinha tentado quase tudo. A pedra avermelhada havia resistido à serra para rochas, à esmerilhadeira, à furadeira, ao ácido e até a marretadas. O garimpeiro esperava ouro, mas acabou encontrando algo ainda mais raro: um meteorito raríssimo.

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Hole tinha encontrado a suposta rocha em maio de 2015, enquanto passava um detector de metais pelo Maryborough Regional Park, na Austrália. A região é famosa pela antiga corrida do ouro australiano e foi o lar dessa estranha pedra de 17 quilos que acendeu os alertas do aparelho.

Ele a levou para casa, imaginando que uma pequena pepita pudesse estar escondida sob aquela superfície marcada por pequenas depressões. A pedra, porém, venceu todas as ferramentas.

Meteoritos mais raros do mundo

Uma pedra do espaço

Depois de anos sem conseguir abri-la, Hole decidiu procurar ajuda externa. Em 2018, levou o objeto ao Melbourne Museum, onde os geólogos Dermot Henry e Bill Birch perceberam que ele não tinha encontrado ouro.

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O objeto era um meteorito. Mais precisamente, um condrito ordinário do tipo H5, categoria de meteoritos rochosos formada por materiais primitivos do Sistema Solar. O exemplar recebeu oficialmente o nome de meteorito de Maryborough.

Em uma análise aprofundada do material, os pesquisadores conseguiram estimar a idade do meteorito, bem como o seu tempo dentro da Terra. Por meio de datação com carbono-14, foi descoberto que esse material está no planeta há menos de mil anos.

Ou seja, ele pode ter passado bilhões de anos orbitando no Sistema Solar antes de terminar sobre a argila amarelada de um parque australiano, onde foi encontrado por alguém que procurava um material muito mais comum no Universo: ouro.

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Se não ouro, o que tem dentro?

Entre os componentes estão os côndrulos, pequenas esferas formadas quando gotículas de material derretido esfriaram rapidamente há bilhões de anos. Elas ajudam os pesquisadores a reconstruir as condições existentes quando asteroides e planetas ainda estavam começando a se formar.

Também aparecem olivina e piroxênio, minerais comuns em rochas de asteroides e planetas. Sua composição funciona como uma pista química: permite investigar temperaturas, transformações e processos sofridos pelo corpo celeste que deu origem ao meteorito.

Havia ainda algo que explica por que o detector de Hole reagiu como se houvesse um tesouro escondido. O Maryborough contém kamacita, taenita e tetrataenita, ligas minerais ricas em ferro e níquel que aparecem como pequenos grãos metálicos espalhados pela rocha.

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Hole ganhou algo?

O artigo científico afirma que o meteorito foi comprado de Hole e incorporado à coleção do Museums Victoria, mas não há uma avaliação pública oficial do Maryborough, nem foi divulgado quanto o museu pagou ao garimpeiro. Porém, é possível comparar o caso com outros meteoritos raros.

Em um leilão da Christie’s, um condrito H5 de 32,34 quilos recebeu estimativa entre US$ 50 mil e US$ 80 mil. Já uma peça H5 de 3,36 quilos oferecida pela Sotheby’s em 2026 foi avaliada entre US$ 7 mil e US$ 10 mil.