Museu Pelé tem boom de visitações em primeiro mês após morte do Rei

Espaço não recebia tanta gente desde a inauguração, em 2014

Visitantes tiram fotos no Museu Pelé - Marcelo Martins

Visitantes tiram fotos no Museu Pelé - Marcelo Martins | Divulgação

O museu que leva o nome de Pelé em Santos, no litoral paulista, vive um boom de visitações desde a morte do craque, no último dia 29 de dezembro. 

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Em janeiro, 11.349 pessoas passaram pelo local. O número é o segundo maior desde o mês de inauguração do espaço, em junho de 2014, com 23.960 pessoas.

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“Só no dia 30 de dezembro tivemos mais de 6.000 presentes, o dobro da média mensal de 2022, que é de 3.663, e o maior número já registrado em um só dia. Estamos com um movimento novo que nunca tivemos anteriormente”, disse Selley Storino, secretária de empreendedorismo, economia criativa e turismo de Santos. 

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“Há muitas pessoas da própria cidade que nunca haviam visitado o local. Chegamos a abrir já com fila formada do lado fora para entrar, isso não acontecia”, acrescentou. 

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No último ano, o Museu Pelé recebeu 29.308 pessoas, 7.708 delas em janeiro. Exceção feita a 2021, por causa da pandemia da Covid-19, o mês é sempre o mais movimentado, impulsionado pelo intenso volume de turistas em todo o litoral e pela abertura da temporada de cruzeiros. Mesmo assim, jamais havia sido ultrapassada a casa dos 10 mil. 

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A melhor temporada foi a inaugural, em 2014, quando 56.890 pessoas passaram pelo local. Desde então, houve queda. Mais visitantes estiveram em atrações como o Aquário Municipal, o Museu do Café, o Orquidário Municipal, o Bonde Turístico e o próprio Memorial das Conquistas, do Santos Futebol Clube. 

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Administrado desde maio de 2016 pela prefeitura, o museu do Rei do futebol sempre enfrentou dificuldades financeiras. Isso causou também problemas estruturais: no casarão tombado de 4.134 m², no centro histórico da cidade, eram comuns infiltrações aparentes na fachada e alagamentos. 

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Em 2019, o local ficou fechado pelo descolamento de reboco em paredes e devido a uma queda de parte do teto onde ficam expostas as peças. A prefeitura chegou a suspender as visitas por quatro dias por medida preventiva. 

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“Estou à frente do espaço há quatro anos e estamos trabalhando muito pela recuperação da infraestrutura e por um novo olhar para o museu. Houve épocas, realmente, de visitantes reclamarem de goteiras, de paredes descascadas e de baldes espalhados por conta da chuva. Suspendemos a cobrança dos ingressos muito em função disso. Agora tudo foi sanado, acrescentamos detalhes nas exposições e criamos uma sensação de aconchego”, afirmou Paulo Monteiro, diretor do museu.
Segundo ele, foi necessário ressignificar alguns espaços: um deles ficou reservado para exposições temporárias e atualmente recebe a “Galeria do Rei”, com 24 pinturas de artistas em homenagem aos 80 anos de Pelé. 

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Outra conta com mais de 500 imagens captadas por José Dias Herrera, primeiro a registrar a chegada do jogador ao Santos, em 1956. O fotógrafo acompanhou o craque em excursões e ao longo de toda a trajetória dele no clube. 

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No último ano, entre abril e julho, o espaço foi fechado para pintura geral, reformas do sistema de calhas e do telhado, revisão na parte elétrica e melhorias de iluminação e no mobiliário. Foram cerca de R$ 700 mil investidos. 

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“Hoje há uma constante manutenção, o museu está cuidado. Temos ainda poucos funcionários, mas procuramos qualificá-los para ajudar nas visitas”, disse Monteiro. 

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Para ser construído, o equipamento recebeu aproximadamente R$ 50 milhões dos governos federal, estadual e municipal e de patrocinadores angariados pela Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Ama Brasil, primeira gestora do equipamento. Nessa época, acumulou longo histórico de problemas de contas atrasadas. 

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Em 2017, já com a prefeitura como gestora, o museu tentou ainda parceria com a empresa argentina Museos Desportivos, reconhecida por trabalhos na área de museologia em clubes como Boca Juniors, River Plate, Benfica e Juventus. 

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O Santos Futebol Clube também chegou a formalizar em 2019 proposta de parceria para administrar o museu. A ideia era usar o espaço para “desintoxicar a Vila Belmiro”, remanejando quase cem funcionários que trabalham nas dependências do estádio para espaços não utilizados no museu. 

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“Recentemente, um terminal recebeu 18 ônibus de turistas que desceram dos navios. Quatorze deles ficaram em Santos e foram para o museu, e só quatro subiram para São Paulo. O prefeito tem se preocupado muito com o turismo”, observou a secretária Selley. 

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São cada vez mais frequentes os eventos próximos ao museu, localizado no Valongo. Em novembro, a prefeitura promoveu um evento voltado ao público geek, com cinco dias de duração. Semanas antes, aproveitando a Copa do Mundo, havia organizado no último andar do equipamento um campeonato de futebol de botão.

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“Queremos isso, um festival funcionando no Valongo e outro no Paquetá, por exemplo. Também haverá ligação com o novo mercado municipal. As atividades culturais funcionarão como uma mola propulsora para os equipamentos e o centro histórico”, afirmou o prefeito Rogério Santos (PSDB). 

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A expectativa, agora, é manter o fôlego e ainda mais vivos a imagem, os recordes e os feitos de Pelé.