O fenômeno das cidades planejadas ganhou um novo capítulo a apenas 20 minutos de Brasília, na cidade de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. No coração do Entorno, um novo bairro planejado desafia a geografia tradicional ao criar um complexo urbano totalmente autônomo.
A proposta é erguer uma estrutura independente bem ao lado da capital federal para reconfigurar a rotina local.
A grande curiosidade desse novo complexo é a aposta no fator água para atrair o público e aliviar o calor do Planalto Central. O projeto prevê um lago artificial de 30 mil metros quadrados e uma praia de areia em pleno Cerrado.
A estrutura busca corrigir o clima seco da região, transformando uma área de vegetação nativa em ponto turístico.
O desenho do lugar também chama a atenção pelo tamanho do parque linear projetado, que terá 68 mil metros quadrados. Diferente dos parques redondos ou quadrados, essa estrutura em linha acompanha o traçado das avenidas com quase dois quilômetros de pistas de corrida.
O tamanho da obra impressiona e mostra como o mercado da construção civil expande suas fronteiras e injeta cifras bilionárias em loteamentos fora do eixo central.
Inversão do trânsito
O projeto tenta quebrar a antiga lógica das cidades-dormitório, onde a população do Entorno pega a rodovia cedo para trabalhar na capital e só volta para dormir. A estratégia urbana aqui é trazer os serviços públicos para dentro do loteamento.
Para isso, a iniciativa privada vai construir e entregar prontos os prédios que abrigarão um batalhão policial e postos de saúde locais.
Geografia e fronteiras invisiveis
Essa corrida para construir praias artificiais e complexos de lazer no interior do país reflete uma mudança no comportamento do consumidor de classe média. A busca por entretenimento perto de casa virou prioridade após o encarecimento das viagens de férias.
Essa lógica é parecida com a expansão de grandes centros de compras que apostam em atrações aquáticas para baratear as opções de lazer da população regional.
Urbanistas apontam que a linha divisória entre o Distrito Federal e os municípios vizinhos está sumindo por causa do preço da terra nos centros. O crescimento além das fronteiras tradicionais atrai investimentos pesados para regiões que antes sofriam com a falta de asfalto e esgoto.


