Com investimentos de R$ 1,1 bilhão, o Aeroporto de Brasília passa por uma transformação para virar uma “cidade comercial” com shopping aberto e um clube com piscina de ondas para surfe de R$ 450 milhões.
Viabilizada pelo programa federal Investe+ Aeroportos, a estratégia concede segurança jurídica para a exploração do espaço até 2067.
Embora pareça um projeto puramente voltado ao mercado de luxo, a engenharia financeira por trás do bilhão injetado na pista tem impacto direto no bolso do passageiro de qualquer lugar do país.
Atualmente, 60% do faturamento dos aeroportos brasileiros já vem de atividades comerciais, enquanto 40% dependem das tarifas pagas pelas companhias e viajantes.
Ao inflar o faturamento com shoppings e clubes, a pressão sobre o custo dos voos diminui.
“Com receitas acessórias mais robustas, os terminais conseguem reduzir custos operacionais e diminuir a pressão sobre as tarifas pagas pelos passageiros”, explica Clarissa Barros, diretora de Políticas Regulatórias Aeroportuárias do MPor.
Cinema a céu aberto e preservação do Cerrado
A primeira grande entrega do complexo está marcada para 15 de setembro de 2026, com a inauguração de um shopping de conceito aberto que soma mais de 60 mil metros quadrados de área construída a menos de 500 metros do terminal principal.
O espaço abrigará mais de 130 lojas, academia de 3 mil metros quadrados, polo gastronômico com dez restaurantes de alta culinária e seis salas de cinema, incluindo quatro VIPs e uma supertela para exibições a céu aberto.
O projeto também aposta na sustentabilidade por meio de um viveiro próprio com cerca de três mil mudas de espécies nativas do Cerrado integradas ao paisagismo, cuidado destacado pela técnica ambiental Noeli Maria.
O pacote de investimentos na região é arrematado por um novo Centro de Distribuição Logística de R$ 35 milhões, desenhado para morder uma fatia estratégica do mercado de cargas no Centro-Oeste.
Do canteiro de obras ao balcão de empregos
São 650 operários no canteiro de obras atual e uma projeção de duas mil vagas diretas quando as portas abrirem.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, reforça que a meta é transformar os terminais em “vitrines comerciais e oportunidades”.





