Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol, mas isso não significa que todos os seus terrenos vivam sob o mesmo calor. Em crateras próximas aos polos, há depósitos de gelo de água.
O aparente paradoxo se resolve quando a atenção sai da distância até a estrela e chega à iluminação de cada lugar.
O eixo de rotação de Mercúrio tem inclinação muito pequena. Por isso, o Sol permanece baixo no horizonte das regiões polares, e o relevo pode impedir que seus raios alcancem o interior de certas crateras. Essas áreas ficam em sombra permanente.
A sombra muda as condições do terreno
Segundo o Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, observações da missão MESSENGER deram forte apoio à presença de gelo nesses depósitos. Nas regiões mais frias, ele pode estar exposto; em outras, aparece protegido sob uma camada escura de material.
Não se trata de imaginar Mercúrio inteiro coberto de neve, nem de um lago líquido iluminado pelo Sol.
O cenário é localizado: terrenos permanentemente sombreados funcionam como armadilhas frias, onde as condições permitem conservar materiais que não permaneceriam da mesma forma em áreas mais quentes.
As primeiras pistas importantes incluíram regiões muito refletoras em observações de radar feitas a partir da Terra. A missão MESSENGER permitiu comparar essas informações com imagens, relevo e outras medições do planeta.
O conjunto de dados foi decisivo para relacionar os sinais observados às condições extremamente frias dos polos.
Como os cientistas encontraram as pistas
A NASA também apresenta impactos de cometas e asteroides ricos em materiais voláteis como uma provável origem de parte dessa água.
Essa explicação sobre a chegada do material, porém, é diferente da pergunta sobre sua conservação. Para o gelo permanecer, o ambiente local precisa oferecer condições adequadas para impedir que a água evapore ou escape.
A descoberta mostra por que um planeta não pode ser resumido a uma única temperatura ou à sua posição no Sistema Solar.
Em Mercúrio, o mesmo Sol que aquece intensamente as áreas expostas deixa de atingir diretamente outros terrenos. É justamente nessa diferença de iluminação que o gelo encontra condições para continuar existindo, mesmo tão perto da estrela.






