O que são os “piscinões”? Entenda tecnologia em que SP investe quase R$ 1 bilhão para conter enchentes

Essas estruturas funcionam como reservatórios de retenção temporária; durante o pico de uma tempestade, recebem e armazenam grandes volumes de água antes que eles cheguem aos rios e córregos de uma só vez

Desde 2023, o Governo do Estado destinou R$ 960 milhões à implantação de novos reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo, por meio da SP Águas./ foto: divulgação Governo de SP

O tempo chuvoso na capital preocupa moradores, principalmente com os recentes alagamentos que deixaram veículos praticamente submersos. À medida que os períodos de fortes chuvas se aproximam novamente da Região Metropolitana de São Paulo, a infraestrutura urbana segue sendo colocada à prova.

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Para conter o escoamento rápido das águas e mitigar o risco de grandes alagamentos, o Governo do Estado de São Paulo tem apostado alto nos chamados piscinões, grandes reservatórios de contenção de cheias que recebem quase R$ 1 bilhão em investimentos.

Afinal, o que é e como funciona um piscinão?

Em áreas urbanas densamente povoadas, a pavimentação, o asfalto e as edificações impedem que parte da água da chuva seja absorvida naturalmente pelo solo. Esse processo, conhecido como impermeabilização, faz com que a água escoe rapidamente pelas ruas e galerias pluviais, sobrecarregando o sistema de drenagem e aumentando o risco de rios e córregos transbordarem.

É nesse cenário que entram os piscinões. Essas estruturas funcionam como reservatórios de retenção temporária. Durante o pico de uma tempestade, recebem e armazenam grandes volumes de água antes que eles cheguem aos rios e córregos de uma só vez.

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Ao reter parte desse volume, os reservatórios ajudam a reduzir os picos de vazão e a pressão sobre a rede de drenagem. Quando o período mais crítico da chuva passa, a água acumulada é liberada gradualmente para o sistema ou bombeada, conforme a estrutura de cada reservatório.

A medida busca diminuir a possibilidade de transbordamentos, mas não elimina completamente o risco de enchentes. A eficiência do sistema também depende da capacidade dos reservatórios, da manutenção das estruturas e do funcionamento das demais redes de drenagem.

Quantos piscinões existem na Grande São Paulo?

Desde 2023, o Governo do Estado destinou R$ 960 milhões à implantação de novos reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo, por meio da SP Águas. A região conta com 30 piscinões distribuídos por 11 municípios, entre eles Diadema, Guarulhos, Osasco, Santo André e São Bernardo do Campo.

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Juntas, essas estruturas têm capacidade superior a 6,3 milhões de metros cúbicos de água, volume equivalente a aproximadamente 635 mil caminhões-pipa.

Desde 2023, foram entregues quatro novos reservatórios: dois em Franco da Rocha, um em Francisco Morato e o Piscinão Jaboticabal, que atende às cidades de São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Outra obra está em andamento na zona sul da capital, no entorno do estádio do São Paulo Futebol Clube, no Morumbi. O reservatório, construído na Praça Alfredo Gomes, alcançou 85,6% de execução em outubro de 2026, segundo o Governo do Estado.

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Piscinão do Morumbi terá capacidade para 44 milhões de litros

Com investimento de aproximadamente R$ 145 milhões da SP Águas, o piscinão da Praça Alfredo Gomes terá capacidade para armazenar 44 milhões de litros de água, volume equivalente a cerca de 4,4 mil caminhões-pipa. A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2026.

A estrutura será subterrânea, com formato circular, 48 metros de diâmetro e 27,5 metros de profundidade. O reservatório receberá o excesso de água do Córrego Antonico durante as tempestades, armazenando temporariamente parte do volume que passa pelo sistema de drenagem.

O córrego nasce na região de Paraisópolis e segue em direção ao Morumbi, passando sob o estádio e pela Avenida Jorge João Saad. Em períodos de chuva intensa, o aumento do volume de água pode provocar alagamentos ao longo desse percurso.

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Com o armazenamento temporário e a liberação gradual da água, a obra pretende reduzir a pressão sobre o córrego e as galerias pluviais, ampliando a capacidade de escoamento da região.

Projeto inclui canalização e novas galerias pluviais

Além do reservatório, o projeto estadual prevê a canalização de 951 metros do Córrego Antonico. Desse total, 851 metros serão executados pelo método não destrutivo conhecido como Tunnel Liner, técnica que permite construir uma passagem subterrânea sem a necessidade de abrir uma vala ao longo de todo o trecho.

Os 100 metros restantes serão executados com aduelas pré-moldadas de concreto.

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A intervenção também contempla a implantação de 1,1 quilômetro de novas galerias pluviais na região da Avenida Jules Rimet. Essas estruturas ajudam a captar e conduzir a água da chuva, complementando o trabalho do piscinão.

Morumbi terá dois piscinões para combater alagamentos

O reservatório da Praça Alfredo Gomes faz parte de um conjunto de intervenções realizadas em parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo para reduzir os alagamentos no Morumbi.

O sistema inclui um segundo piscinão, na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio do São Paulo Futebol Clube. A estrutura ficará sob responsabilidade da administração municipal e terá capacidade para armazenar 133,5 milhões de litros de água.

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Somados, os dois reservatórios poderão armazenar 177,5 milhões de litros. As intervenções incluem ainda outras melhorias no sistema de drenagem e representam investimentos de aproximadamente R$ 335 milhões.

A combinação de reservatórios, canalização de córregos e ampliação das galerias pluviais busca aumentar a capacidade de receber e conduzir a água durante tempestades, reduzindo o risco de alagamentos na região.

Estratégia faz parte do plano de resiliência hídrica paulista

A implantação, a operação e a manutenção dos piscinões integram o plano de resiliência hídrica do Governo de São Paulo e fazem parte das medidas de preparação para eventos climáticos extremos.

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A estratégia está alinhada à Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, lançada em 15 de outubro. A iniciativa reúne mais de 180 medidas e cerca de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029, com foco na ampliação da segurança hídrica e no fortalecimento da capacidade de resposta do Estado.

Além dos piscinões, o plano inclui outras frentes de atuação:

  • Programa IntegraTietê: voltado à limpeza, à coleta de lixo superficial e ao desassoreamento do Rio Tietê e de seus afluentes. Segundo o Governo do Estado, o programa já recebeu R$ 1,4 bilhão em investimentos.
  • Manutenção de pôlderes: envolve a limpeza e a operação de sistemas de contenção equipados com bombas e comportas na Marginal Tietê, que ajudam a impedir o retorno da água do rio às pistas.
  • Programa Rios Vivos: promove o desassoreamento de rios no interior e no litoral paulista, contribuindo para melhorar o escoamento da água.

As iniciativas atuam de forma complementar. Enquanto os piscinões armazenam temporariamente parte da água da chuva, a limpeza dos rios, o desassoreamento e a manutenção dos sistemas de drenagem ajudam a preservar a capacidade de escoamento.

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Apesar dos investimentos, a redução dos alagamentos depende de um conjunto de ações, já que chuvas intensas podem superar a capacidade das estruturas existentes e provocar ocorrências mesmo em áreas que contam com obras de contenção.