O diagnóstico de câncer no pulmão do Papa Leão XIV levantou dúvidas sobre o comando da Igreja Católica. Mesmo após passar por cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão, o pontífice ainda segue na posição de máxima liderança. No entanto, em caso de incapacidade, as normas determinam quem assume a administração do Vaticano.
No caso de morte ou renúncia de um papa, existem diretrizes sólidas para a sua sucessão. Apesar disso, não há um protocolo claro para delegar a liderança da Igreja caso o pontífice católico não possa exercer plenamente suas funções, devido a uma doença grave, aponta a BBC.
Veja fotos do Papa Leão XIV, eleito em 2025
Como é a recuperação do Papa Leão XIV após cirurgia
O papa Leão XIV agradeceu nesta quarta-feira (14/10) pelas orações dos fiéis, em sua primeira manifestação pública desde que passou por uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão em Roma. Segundo a equipe médica, a recuperação do pontífice está evoluindo conforme o esperado.
Os médicos retiraram o lobo inferior de um dos pulmões do pontífice. Em comunicado, o doutor Luigi Carbone e o professor Stefano Margaritora informaram que a recuperação está “progredindo conforme o esperado”.
Durante a recuperação no hospital, Leão XIV conseguiu caminhar pelos próprios aposentos. Ele também tomou café da manhã e almoçou normalmente.
O papa havia anunciado o procedimento no fim de semana, durante um discurso na Praça de São Pedro. Na ocasião, informou que o nódulo no pulmão havia sido identificado em estágio inicial.
Quais são as normas para casos extraordinários no Vaticano
O papa é a autoridade máxima da Igreja Católica e do Estado da Cidade do Vaticano. Por isso, sua liderança é fundamental, tanto na esfera religiosa, quanto na administrativa e diplomática.
Mesmo passando por exames e internações, o Papa Leão XIV continua no comando da igreja católica.
Segundo análise da BBC, quando o pontífice não consegue exercer suas funções presencialmente, a administração da Igreja recai sobre a Cúria Romana, o órgão de governo eclesiástico. Especificamente, o secretário de Estado do Vaticano, cargo ocupado atualmente pelo cardeal Pietro Parolin, recebe a maior parte da responsabilidade.
Em março de 2025, durante um episódio semelhante envolvendo a saúde do papa Francisco, o especialista em assuntos do Vaticano Filipe Domingues afirmou à BBC News Mundo que, mesmo se o pontífice estivesse inconsciente, o funcionamento da Igreja seguiria praticamente da mesma forma.
Segundo ele, o secretário de Estado, Pietro Parolin, desempenha um papel fundamental na supervisão de assuntos diplomáticos e administrativos, mas não pode assumir atribuições exclusivas do papa, como nomear bispos e aprovar canonizações.
Embora a Santa Sé disponha de mecanismos para manter suas atividades na ausência do líder da Igreja Católica, as normas atuais não esclarecem completamente como proceder caso o papa permaneça vivo, mas fique impossibilitado de exercer suas funções por um período prolongado.
O direito canônico prevê procedimentos detalhados para a sucessão papal em caso de morte ou renúncia, mas não estabelece orientações equivalentes para situações de incapacidade.
Além disso, o Cânone 335 prevê a possibilidade de a Santa Sé ficar vacante ou totalmente impedida, mas não define o significado dessa última condição nem determina quais medidas devem ser adotadas. Para os bispos, por outro lado, existem regras específicas: conforme o Cânone 412, uma diocese pode ser considerada impedida quando seu bispo não consegue exercer a autoridade por motivos como doença ou exílio. Nessas situações, a administração passa para um bispo auxiliar ou vigário-geral.
Como não existe uma norma semelhante para o papa, permanece sem resposta a questão de quem assumiria suas responsabilidades caso ele perdesse a capacidade de governar a Igreja. A ausência de regras específicas pode representar dificuldades para a Santa Sé caso o estado de saúde do pontífice se agrave ou o impeça de exercer suas funções por um período prolongado.
Renúncia é alternativa em caso mais grave de incapacidade
Ainda, caso um papa não possa permanecer no cargo por motivos de saúde, a única solução seria que ele abdicasse do trono de São Pedro, como aconteceu em episódios anteriores.
Em 1965, o papa Paulo VI escreveu para o decano do Colégio de Cardeais, formulando a hipótese de que, se ele chegasse a ficar gravemente enfermo, o decano e os demais cardeais deveriam aceitar sua renúncia.
Já Francisco, consciente dessa possibilidade, confirmou em 2022 que havia deixado escrita uma carta de renúncia, para ser usada em caso de incapacidade médica.




