Pássaro brasileiro que parece miar: a ‘alma-de-gato’ vive nas árvores, surpreende moradores e ainda carrega lendas de mau agouro em São Paulo

Com cauda enorme e comportamento discreto, ave chama atenção pelo canto parecido com o de um gato e também aparece em histórias do folclore brasileiro

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Esta ave apresenta plumagem em tons castanho-avermelhados, olhos avermelhados e uma cauda extremamente longa/Germano Feijó/Wikimedia Commons

Quem caminha por uma área arborizada e escuta um miado comprido vindo do alto de uma árvore provavelmente procura um gato escondido entre os galhos.

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Só que, em algumas partes do Brasil, o responsável pelo som pode estar muito mais perto do céu do que do chão.

É a alma-de-gato, nome popular da espécie Piaya cayana, uma ave da família dos cuculídeos que ocorre em praticamente todo o País e também aparece em outros pontos da América Latina.

O pássaro que parece ter um gato escondido na árvore

A aparência da alma-de-gato também ajuda a explicar por que ela chama tanta atenção.

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A ave apresenta plumagem em tons castanho-avermelhados, olhos avermelhados e uma cauda extremamente longa, que pode representar uma parte significativa de seu comprimento.

Entretanto, é o canto que costuma entregar sua presença. Estudos e registros de observadores descrevem vocalizações que lembram um miado ou um gemido, além de outros chamados.

Um levantamento de aves em Minas Gerais, por exemplo, registra que o canto da espécie “parece um miado”.

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Por isso, quem não conhece a ave pode passar alguns minutos procurando um felino que simplesmente não está ali.

A própria origem do nome popular está relacionada à vocalização e ao comportamento sorrateiro da espécie. Outro nome bastante conhecido é chincoã, associado a uma de suas vocalizações.

Discreta, mas espalhada pelo Brasil

Apesar de ter uma aparência marcante, a alma-de-gato nem sempre é fácil de encontrar.

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Ela costuma se movimentar entre galhos, copas de árvores e áreas de vegetação, muitas vezes sozinha ou aos pares. Também consegue viver em matas secundárias, capoeiras, parques e bairros arborizados.

Em São Paulo, inclusive, a espécie aparece em áreas verdes da Capital, como os parques Alfredo Volpi, Anhanguera, Carmo, Burle Marx e Ibirapuera, segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

A alimentação ajuda a explicar sua presença nesses ambientes. Lagartas e outros insetos estão entre suas principais presas, mas a espécie também pode consumir frutos, ovos e até pequenos animais.

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Além da Alma-de-Gato, outra ave que chama atenção pelo nome curioso é a “vaca-voadora”.

Do canto surgiu também uma história de medo

O curioso é que a alma-de-gato não ficou apenas na memória de quem ouviu um suposto “miado” vindo da mata.

O nome também aparece no folclore brasileiro, especialmente em histórias associadas ao Rio Grande do Norte e à Paraíba.

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Em registros de mitologia popular, o Alma-de-Gato aparece como uma figura misteriosa, muitas vezes associada a um gato preto ou a uma presença invisível que assustava crianças.

Há ainda registros históricos de que o canto da ave era considerado mau agouro por pessoas supersticiosas, reforçando a ligação entre o animal, seu som misterioso e as antigas crenças populares. Assim, entre uma árvore e outra, a alma-de-gato acabou ganhando duas identidades.

Na natureza, é apenas uma ave que percorre silenciosamente a vegetação em busca de alimento.

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Na imaginação popular, porém, seu canto ajudou a transformar um simples pássaro em uma das figuras mais curiosas da fauna e do folclore brasileiro.