Paulistas adaptam festas juninas em 2021

Comemorações intimistas e drive-thru são alternativas para não deixar o mês de junho passar em branco pelo segundo ano consecutivo de pandemia

Igreja do Calvário somava até 60 mil pessoas antes da pandemia

Igreja do Calvário somava até 60 mil pessoas antes da pandemia | Alberto Rocha/Folhapress/arquivo 19.06.2016

Com quase 500 mil vítimas fatais do novo coronavírus e a vacinação acontecendo a passos lentos, pelo segundo ano consecutivo, as tradicionais festas juninas com quadrilhas, barraquinhas e muita aglomeração, estão riscadas do calendário nacional. Ainda assim, famílias, igrejas e escolas paulistas encontram alternativas para não deixar as celebrações passarem em branco.

A gerente de vendas Luciene Hayara, de 37 anos, moradora da cidade de Lins, no interior do Estado, é uma dessas pessoas. Fã das comidas típicas e brincadeiras dessa época do ano, ela costumava frequentar quermesses e festas juninas de escolas antes da pandemia. No ano passado, ela, o marido e a mãe aproveitaram as diversas lives com a temática, mas este ano ela resolveu apostar em uma comemoração intimista.

“Eu acreditava que, a esta altura do ano, poderíamos ter alguma coisa, mesmo que adaptada, com máscara, ao ar livre e menor. Porém, conforme o tempo foi passando e o rumo que as coisas foram tomando, a esperança foi indo embora. Então, junto com a minha irmã, optei por organizar uma festinha em casa, para sete pessoas, com brincadeiras, comidas típicas e, o melhor, todos a caráter”, conta Luciene.

Igrejas .

Quem não tem o ânimo da gerente de vendas de Lins, mas adora as comidas típicas destas celebrações, tem nas festas do tipo “drive-thru” e “take-away” alternativas para não deixar de saborear o arroz-doce, o quentão e o vinho quente.

Com uma das festas juninas mais famosas de São Paulo, a Quermesse do Calvário adotou o sistema take-away para manter a celebração. A festa acontece até o dia 3 de julho e teve início no dia 12 de junho, com 200 pedidos vendidos antecipadamente. Antes da pandemia, contudo, a quermesse reunia cerca de 50 a 60 mil pessoas, somados o público dos seis fins de semana do evento, o que gerava um bom faturamento para atender as obras assistenciais da igreja.

Outra festa que costumava ser disputada antes da pandemia era a da Paróquia São João de Brito, no Brooklin. Tradicional desde a década de 1980, o evento costumava reunir de 7 a 8 mil pessoas por fim de semana e a exemplo da Igreja do Calvário, a renda era revertida para ações sociais e manutenção do templo religioso.

“Por conta da pandemia, em 2020, adotamos o sistema delivery. Nosso público foi muito receptivo e tivemos uma média de 200 pedidos por fim de semana. Este ano, além do delivery, é possível retirada no local e esperamos seguir a mesma média de pedidos”, relata a voluntária da igreja, Luciana Migliano de Almeida, que também é membro da Pastoral da Comunicação. O arraial da São João de Brito termina no sábado (26).

Escolas.

As escolas também adaptaram suas festas juninas em 2021. O Colégio Pio XII, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo, por exemplo, dividiu a festa junina para estudantes do presencial em vários dias, apenas para alunos, e em formato de bolhas, ou seja, cada turma terá o seu próprio evento. No dia 26 de junho, alunos e familiares participarão de forma on-line do arraial, que contará com a entrega de kits e apresentação de um show virtual.

Já o Colégio Humboldt, que fica em Interlagos, na zona sul da Capital, optou por receber as famílias em um drive-thru junino, neste sábado (19). Com aproximadamente 1,1 mil alunos, a escola decorou seu estacionamento e recepcionará os convidados ao som de forró pé-de-serra e vai oferecer um kit junino com doces típicos para a festa continuar em casa. Além disso, a instituição irá arrecadar alimentos não perecíveis e itens de higiene que serão entregues para duas instituições de caridade.

“Enquanto ainda não é possível curtir uma tradicional festa junina, convidamos as famílias para buscar no estacionamento do Colégio, em esquema drive-thru, o kit junino com surpresas típicas que preparamos. Não podemos ‘pular a fogueira’ juntos, mas podemos manter nossos corações aquecidos sempre!”, diz a Comissão de Festas do Colégio. (Gladys Magalhães)