Exatamente 20% das mulheres da cidade de São Paulo se dizem feministas, enquanto 18,7% afirmam ser antifeministas ou não gostarem do movimento. O resultado consta na pesquisa “Elas por Elas – Um retrato geracional da mulher paulistana”, divulgada nesta semana pelo Instituto Badra.
De acordo com o levantamento, além dos 20% que se dizem favoráveis à pauta, 21,3% responderam ser simpatizantes do feminismo e concordarem com várias pautas, apesar de não se considerarem feministas. Por outro lado, 25,4% se disseram desinteressadas pelo tema.
Com isso, o número total de feministas ou simpatizantes somam 38,7% das moradoras da Capital, enquanto as antifeministas ou não interessadas são 44,1%. A quantidade que se disse desconhecedora sobre o assunto é de 11,9%.
Já 35% das moradoras da maior cidade do País se disseram conservadoras, enquanto 12,3% escolheram a opção progressista e 5,2% mais progressistas do que conservadoras. Na sequência, 16,2% afirmaram serem equilibradas entre as duas vertentes e 19,6 se declararam alienadas ou sem interesse em política.
O levantamento foi feito com 520 mulheres moradoras da Capital entre 18 e 20 de fevereiro, com respostas espontâneas e estimuladas. Foram 130 entrevistas para cada grupo etário: de 18 a 29 anos, de 30 a 49, de 50 a 64 e acima de 65.
O resultado foi divulgado na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
Medo da violência de gênero
Segundo o Instituto Badra, quase metade (48,7%) das moradoras da cidade de São Paulo disseram que a solução para a violência de gênero e o feminicídio é acabar com a impunidade. As respostas que mais apareceram na sequência são “educador melhor a sociedade para combater e evitar novas agressões” (32,3%) e “não tem como resolver, porque os homens se protegem” (10,4%), entre outras.
Cinquenta e seis por cento das respondentes evitam sair à noite justamente por serem mulheres. Já 19,4% disseram ter medo, mas que todos correm perigo sozinhos à noite, não apenas mulheres, e 22,9% responderam não terem medo. O grupo etário que mais teme estar sozinha à noite é a de 30 a 49 anos.
No quesito religioso, 33% destacaram que a religião ou a espiritualidade influenciam muito nas decisões cotidianas e 27,9% indicaram que influenciam em parte. Já 18,5% destacaram que não influencia em nada, enquanto 17,5% disseram influenciar pouco.
Ainda na questão religiosa, 49% das paulistanas ou moradoras da cidade se autodeclararam católicas, e 27% evangélicas. Já umbandistas e candomblecistas são 8%, enquanto 4% são espíritas. As ateias ou agnósticas somam 4%, e outras vertentes religiosas são 1%.
Vida profissional e pressão estética
O sentimento de melhoria em termos de igualdade no ambiente profissional é constante em todas as faixas etárias. Contudo, mais de 51% responderam que ainda existe muita desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Na mesma direção, 53,1% consideram possível conciliar carreira e maternidade, porém registrando que a mulher acaba sobrecarregada. Dentre os 3,3% de mulheres que acham difícil conciliar, devendo ser priorizada a maternidade, o maior percentual (4,4%) e das que tem até 29 anos, seguido pelas que estão acima de 65 anos (4%).
Para quase 60% do total das entrevistadas, a pressão estética sobre as mulheres aumentou muito nos últimos anos. Com isso, 32% informaram já ter feito algum tipo de procedimento estético como botox, preenchimentos e cirurgias para ficarem mais bonitas ou mais jovens, e 33% relataram que, apesar de não ter feito ainda, têm vontade de fazer.
Aborto
A Badra revelou que 39% das entrevistadas defendem que a lei brasileira sobre o aborto permaneça como está, ou seja, permitido só em alguns poucos casos, mediante decisão da Justiça, independente da vontade da mulher. Já 24,2% consideram que deveria ser permitido em mais situações do que é hoje e 20,8% são a favor da proibição em todos os casos.
As mulheres até 29 anos são as que mais defendem a ampliação das possibilidade de realização do procedimento e as que menos (25,4%) concordam com a proibição total (15,8%). Apesar das controvérsias públicas, os dados apontam para uma tendência de manutenção da legislação atual, com leve sinalização para a ampliação.
Para 36,7% das entrevistadas, a vida da brasileira hoje é um pouco melhor, mas ainda difícil do que antigamente. Esse número sobe para 38,6% quando ouvidas as mulheres entre 18 e 29 anos. Já para 37,6% das respondentes na faixa etária acima dos 65 anos a vida hoje é muito melhor do que há 50 anos.





