Renato Feder afirma São Paulo teve ‘o melhor resultado da história’ no Pisa 2025 e revela o que mudou nas escolas

Em entrevista exclusiva à Gazeta de S. Paulo, secretário da Educação atribuiu desempenho a mudanças no currículo, frequência escolar e estratégias de reforço

Renato Feder destaca avanço de São Paulo no Pisa 2025 e diz que estado superou países desenvolvidos em áreas avaliadas /Divulgação

Renato Feder destaca avanço de São Paulo no Pisa 2025 e diz que estado superou países desenvolvidos em áreas avaliadas /Divulgação

São Paulo teve o melhor resultado de sua história no Pisa 2025, segundo avaliação do secretário estadual da Educação, Renato Feder.

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Em entrevista exclusiva à Gazeta de S. Paulo nesta quinta-feira (10/9), ele destacou o desempenho dos estudantes paulistas em comparação com outros países e atribuiu o avanço a mudanças adotadas na rede estadual desde 2023.

Os resultados do Pisa 2025 foram divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na terça-feira (8/9).

Na comparação apresentada por Feder, São Paulo ficou à frente do Chile em matemática e ciências e superou o Uruguai em leitura.

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O estado também registrou pontuação superior à média brasileira nas três áreas avaliadas.

“São Paulo conseguiu um resultado extraordinário; foi o melhor resultado da história do estado, alcançando países de Primeiro Mundo”, afirmou o secretário.

Feder citou ainda outros países ao comentar o desempenho paulista.

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Segundo ele, São Paulo ultrapassou a Grécia e a Islândia em leitura e ciências, além de superar Israel em ciências e os Emirados Árabes em leitura.

Passamos Israel em ciências, os Emirados Árabes em leitura e o Chile em matemática, que era o líder da América Latina.

Em outra comparação, o secretário resumiu o resultado da seguinte forma

Portanto, os alunos das escolas públicas do Estado de São Paulo sabem mais matemática do que os alunos do Chile, mais leitura do que os alunos de Dubai e mais ciências do que os alunos de Israel.

Como São Paulo se saiu no Pisa 2025

O Pisa avalia estudantes de 15 anos e mede a capacidade de aplicar conhecimentos em situações relacionadas ao cotidiano.

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A edição de 2025 teve ciências como principal área de avaliação e também considerou matemática e leitura.

São Paulo registrou 443 pontos em ciências, enquanto o Chile teve 442, o Uruguai 445 e o Brasil 409.

Em leitura, o estado alcançou 434 pontos, contra 436 do Chile, 423 do Uruguai e 408 do Brasil.

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Já em matemática, São Paulo marcou 404 pontos, diante de 403 do Chile, 405 do Uruguai e 377 do Brasil.

Os resultados colocam a rede paulista acima da média brasileira nas três áreas, mas mostram também que o estado ainda ficou próximo dos demais países latino-americanos comparados.

Em ciências e matemática, por exemplo, o Uruguai teve pontuação ligeiramente superior à de São Paulo.

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O Pisa tem metodologia diferente de avaliações nacionais como o Saeb e o Saresp.

O exame internacional busca medir o chamado letramento prático, com foco na capacidade de utilizar conhecimentos para resolver problemas e lidar com situações do cotidiano.

No Brasil, participaram da avaliação 30.140 estudantes. Em São Paulo, foram avaliados 2.239 alunos de 15 anos, selecionados por sorteio.

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Para Feder, a característica amostral do exame reforça a representatividade do resultado.

Como o resultado do PISA é amostral e decorre de um sorteio aleatório entre milhares de estudantes, ele representa fielmente a rede estadual.

Na avaliação do secretário, a evolução paulista também reduziu a distância histórica em relação a países que apresentavam desempenho superior na região.

Evoluímos de forma expressiva. Estávamos distantes do Uruguai e do Chile, que lideravam a América Latina com uma tradição educacional superior à brasileira há décadas. Agora nos aproximamos do Uruguai e superamos o Chile.

Feder afirmou ainda que São Paulo abriu uma diferença de 30 pontos em relação à média nacional, diferença que ele compara a aproximadamente um ano de aprendizagem.

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Apesar do resultado, reconheceu que a matemática continua sendo um dos principais desafios da rede.

Currículo foi uma das mudanças apontadas por Feder

Para explicar o desempenho no Pisa, Feder destacou mudanças feitas no currículo paulista desde 2023.

Segundo ele, a rede passou a trabalhar não apenas conteúdos e habilidades tradicionais, mas também competências práticas.

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Além de conteúdos e habilidades, inserimos competências práticas em nosso currículo, como a resolução de problemas ligados à reciclagem do lixo, ao meio ambiente e à saúde.

O secretário também citou uma reformulação específica no ensino de ciências.

Reformulamos o currículo de ciências, eliminando abordagens antigas e meramente conteudistas para focar em competências sobre como o aluno lidará com lixões, saneamento básico e preservação das espécies.

Na avaliação de Feder, a mudança teria relação direta com a forma como o Pisa estrutura suas questões.

Como o PISA avalia o que o jovem precisará na vida adulta, essa mudança curricular casou perfeitamente com a prova.

Além do currículo, ele apontou medidas relacionadas à organização das escolas, formação de professores, materiais didáticos e acompanhamento das atividades em sala de aula.

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Frequência escolar também entrou na estratégia

Outro fator citado pelo secretário foi a frequência dos estudantes. Segundo Feder, a média de faltas diárias caiu desde o início da atual gestão.

Em São Paulo, a frequência e a organização escolar melhoraram: quando assumimos a gestão, de cada 100 alunos, 22 faltavam diariamente; hoje, a média de ausências caiu para 10 alunos.

Para ele, a melhora não ocorreu apenas na presença dos estudantes.

Houve avanços na frequência, organização da escola, alimentação, acolhimento e na qualidade das aulas.

A gestão também adotou materiais estruturados e atividades preparadas pela Secretaria da Educação como parte da estratégia de apoio aos professores.

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Matemática terá mais aulas e reforço para alunos com defasagem

Mesmo com o avanço registrado no Pisa, Feder afirma que a matemática continuará entre as prioridades da rede estadual.

Precisamos continuar avançando, especialmente em matemática, onde tínhamos a menor pontuação.

No Ensino Médio, a Secretaria aumentou a carga horária da disciplina. Na terceira série, passou de duas para seis aulas semanais.

Na primeira e na segunda séries, subiu de quatro para seis aulas por semana. Segundo Feder, a mudança representa aumento de 70% na carga horária de matemática.

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Outra frente é o atendimento de estudantes com defasagem de aprendizagem.

De acordo com o secretário, a Secretaria identificou turmas em que alunos apresentavam níveis muito diferentes de conhecimento.

Identificamos que em uma mesma turma de 8º ano conviviam alunos com aprendizado adequado e estudantes com defasagens acumuladas do 5º, 6º ou 7º ano.

Para enfrentar essa diferença, foram contratados mais de 5 mil professores tutores.

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Os estudantes identificados com dificuldades são encaminhados para pequenos grupos, principalmente em Língua Portuguesa e Matemática.

As aulas são em pequenos grupos de 10 a 15 estudantes, utilizando material didático estruturado para o seu nível de aprendizado.

Segundo Feder, o programa atende atualmente quase meio milhão de alunos da rede estadual.

A identificação ocorre por meio de avaliações diagnósticas realizadas no início de cada semestre. “A triagem é conduzida pela própria escola”, explicou.

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Os encontros acontecem durante o horário regular de aulas.

O estudante deixa temporariamente a turma de origem por cerca de duas horas para participar da tutoria e depois retorna às atividades.

De acordo com o secretário, a opção pelo horário regular foi adotada porque atividades no contraturno apresentavam baixa adesão.

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Celulares, redes sociais e inteligência artificial preocupam

A relação dos estudantes com a tecnologia também foi citada por Feder como um desafio.

Para ele, a queda no desempenho global do Pisa desde 2012 coincide com a disseminação dos smartphones e das redes sociais.

O PISA é realizado há mais de dois decênios, mas o pico da pontuação global ocorreu em 2012, superando os 500 pontos. A partir de 2012, as notas começaram a cair nas edições de 2015, 2018, 2022 e 2025.

Na avaliação do secretário, plataformas como TikTok e Instagram prejudicam a concentração dos estudantes.

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De um lado, plataformas como TikTok e Instagram dispersam a atenção dos estudantes; de outro, trabalhamos para que os alunos leiam, pensem com profundidade, desenvolvam raciocínio complexo e resolvam problemas.

A rede paulista também passou a abordar o uso responsável da tecnologia.

Inserimos no currículo paulista tópicos sobre maturidade digital, reconhecimento de notícias falsas e prevenção contra os vieses da IA.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial já é utilizada em atividades pedagógicas. Feder citou a correção de redações como exemplo.

Estabelecemos a meta de 20 milhões de redações produzidas pelos nossos 3 milhões de alunos. Diante do volume inviável para correção manual exclusiva pelos professores, utilizamos inteligência artificial para corrigir os textos, proporcionando devolutivas rápidas e precisas aos estudantes.

Alfabetização é prioridade

Apesar de o Pisa avaliar estudantes de 15 anos, Feder afirma que a melhora da educação começa nos primeiros anos.

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“Nossa prioridade absoluta de investimento é a alfabetização”, afirmou.

Segundo ele, recursos adicionais devem ser concentrados nessa etapa.

Se houver recursos adicionais, eles devem ser direcionados à alfabetização, pois a criança que aprende a ler e consolida a base da matemática aos 7 anos não acumula defasagens no decorrer da vida escolar.

O estado também oferece apoio aos municípios por meio de livros, avaliações, formação de professores, premiações e tecnologia.

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Ensino técnico cresce na rede estadual

Outra frente da gestão é a expansão do ensino técnico no Ensino Médio.

Segundo os dados apresentados por Feder, as matrículas passaram de 35 mil em 2023 para 231 mil no início de 2026, com projeção de chegar a 400 mil vagas até 2027.

Os cursos são definidos conforme o interesse dos alunos e a vocação econômica regional, oferecendo Turismo em regiões turísticas, Agronegócio em áreas agrícolas e Tecnologia em polos tecnológicos.

De acordo com o secretário, 70% dos estudantes consultados demonstraram interesse pela educação profissional.

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Com o encerramento das matrículas em 18 de setembro, estimamos consolidar a maior expansão do ensino técnico no estado.

Próximo desafio é reduzir distância para a OCDE

Depois do avanço no Pisa, Feder afirma que a meta é continuar reduzindo a distância para a média dos países da OCDE e melhorar o desempenho no Enem.

Já reduzimos pela metade a distância em relação à média da OCDE e trabalhamos para emparelhar com esse indicador na próxima edição do PISA.

No Ensino Médio, a frequência e o engajamento também aparecem entre os desafios.

Nosso grande desafio reside no Ensino Médio, motivando os estudantes a vislumbrarem o ingresso no ensino superior ou em uma carreira profissional.

Segundo Feder, o Provão Paulista já garantiu acesso de mais de 50 mil estudantes às universidades públicas estaduais, enquanto uma campanha de incentivo ao Enem alcançou mais de 80% de adesão entre os concluintes da rede.

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No próximo ano, disponibilizaremos simulados e aulas preparatórias específicas, demonstrando aos jovens as oportunidades oferecidas pelo ensino superior e técnico.

Ao avaliar o resultado do Pisa 2025, o secretário atribuiu o desempenho às medidas adotadas pela gestão estadual.

Esse dado demonstra os bons rumos que a gestão do governador Tarcísio tem dado à educação, focando na alfabetização e em um currículo moderno.

Apesar do avanço, Feder reconheceu que ainda há espaço para melhorar.

São resultados muito expressivos, seja em comparação com o resto do Brasil, com o histórico de São Paulo nos últimos 20 anos ou com países que possuem orçamentos muito maiores e mais tradição em educação. Nosso objetivo é continuar crescendo para alcançar os países da OCDE.

Quem é Renato Feder

Renato Feder é o atual secretário da Educação do Estado de São Paulo, cargo que ocupa desde 2023.

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Formado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), ele também foi professor, gestor escolar e diretor por mais de dez anos, com atuação da Educação Básica à Educação de Jovens e Adultos.

Antes de assumir a pasta paulista, Feder foi secretário da Educação do Paraná.

Segundo o Governo de São Paulo, durante sua gestão no estado, participou de iniciativas como a expansão da educação integral e profissional, a modernização tecnológica das escolas e a ampliação do acesso à internet na rede pública.