O Brasil reduziu a distância para os países ricos no Pisa 2025, mas o avanço tem uma explicação menos positiva do que parece: enquanto o desempenho brasileiro ficou praticamente estável, os resultados médios da OCDE despencaram.
O País registrou 409 pontos em Ciências, 408 em Leitura e 377 em Matemática.
A diferença para as nações da OCDE diminuiu nas últimas duas décadas.
Em relação à média de 23 países que participam da comparação desde 2000, o intervalo caiu de 102 para 58 pontos em Leitura, de 131 para 92 em Matemática e de 113 para 77 em Ciências entre 2006 e 2025.
O problema é que o Brasil continua em um patamar baixo.
Na comparação com 2015, o País praticamente não avançou. A média de Matemática permaneceu em 377 pontos. Em Leitura, passou de 407 para 408. Em Ciências, foi de 401 para 409.
Brasil ainda tem dificuldades básicas
Apesar da estabilidade, uma parcela expressiva dos estudantes brasileiros não alcança o nível básico de proficiência.
Em Ciências, 48% chegaram pelo menos ao nível 2, considerado o patamar básico. Na média da OCDE, o índice é de 74%.
Em Matemática, somente 28% dos brasileiros atingiram esse nível, contra 65% nos países da organização.
Em Leitura, 49% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou acima. Na OCDE, são 69%. Nos níveis mais altos, a diferença também é grande.
Apenas 1% dos brasileiros alcançou o nível 5 ou superior em Ciências e Leitura. Em Matemática, praticamente nenhum estudante chegou a esse patamar.
Matemática é o principal ponto de atenção. O Brasil ficou na 71ª posição entre os países e economias analisados.
Em Ciências, ficou em 67º lugar. Em Leitura, ocupou a 52ª colocação.
Desigualdade também aparece no resultado
O desempenho brasileiro varia fortemente conforme a condição socioeconômica dos estudantes.
Em Ciências, os 25% mais ricos tiveram uma média 96 pontos superior à dos 25% mais pobres.
A diferença é maior que a média de 85 pontos observada na OCDE.
Entre os estudantes brasileiros de maior nível socioeconômico, a média chegou a 476 pontos. Entre os menos favorecidos, ficou em 380.
A condição socioeconômica responde por 16% da variação de desempenho no Brasil, contra 12% na média da OCDE.
IA já faz parte da rotina dos alunos
O Pisa 2025 também mostra uma mudança no modo como estudantes brasileiros estudam.
47,8% afirmaram usar inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para estudar, acima dos 45,5% registrados na média da OCDE.
Mais da metade, 51,2%, afirmou aprender nas aulas a avaliar informações produzidas por ferramentas de IA.
O levantamento também apontou que 50,2% dos brasileiros disseram não sofrer distrações ao utilizar dispositivos digitais.
O uso de celulares também mudou nas escolas brasileiras.
Em 2025, 81% dos estudantes avaliados estavam em instituições com restrições ao uso dos aparelhos. Em 2022, eram 37%. A média da OCDE ficou em 49%.
Países ricos têm pior resultado
O Pisa 2025 mostrou o pior desempenho médio da história dos países da OCDE nas três áreas avaliadas.
A média dos 23 países usados na série histórica ficou em 486 pontos em Ciências, 466 em Leitura e 469 em Matemática.
A queda foi especialmente forte em Matemática. Desde 2018, o desempenho médio da área caiu de maneira acentuada.
Em Leitura, os resultados vêm recuando desde o pico registrado por volta de 2012. Ciências apresenta uma queda mais gradual na última década.
A OCDE aponta que o movimento se intensificou depois da pandemia. Em 2022, os países já haviam registrado uma queda considerada sem precedentes.
O Pisa 2025 mostra que a deterioração continuou em muitos sistemas educacionais.
Leitura vira preocupação global
Os resultados também levantam uma questão que ultrapassa o desempenho brasileiro: a perda de habilidades de leitura em meio à expansão das tecnologias digitais e da inteligência artificial.
O relatório aponta quedas em tarefas que exigem avaliar informações, refletir criticamente e integrar diferentes evidências.
Também houve aumento de respostas rápidas e incorretas, associado à chamada “leitura apressada”.
O cenário preocupa porque a leitura está diretamente relacionada ao aprendizado de outras áreas.
Para resolver problemas matemáticos, interpretar uma fonte histórica ou analisar um experimento científico, o estudante precisa primeiro compreender a linguagem.
O Pisa 2025 avaliou mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e regiões.
No Brasil, participaram 30.140 alunos. A edição teve Ciências como área principal e também incluiu uma avaliação sobre aprendizagem no mundo digital.
