Dois papagaios ameaçados de extinção, que viveram durante anos com um casal de idosos, precisaram ser resgatados após os tutores serem transferidos para uma instituição de acolhimento em Jacaraípe, no município da Serra, no Espírito Santo.
As aves acompanharam a mudança dos idosos, mas o local não tinha estrutura adequada para mantê-las. Diante da situação, a própria instituição procurou a fiscalização ambiental, que realizou o resgate na manhã de terça-feira (27/10).
Os animais foram identificados como papagaios-chauás, espécie nativa da Mata Atlântica que enfrenta ameaças como a destruição das florestas e a captura ilegal.
Aves acompanhavam casal há anos
A história dos dois papagaios começou muito antes da chegada ao lar de idosos. Segundo as informações divulgadas sobre o resgate, os animais já viviam com o casal há bastante tempo.
Quando os familiares decidiram transferir os idosos para a instituição, também levaram as aves. A mudança, entretanto, criou uma dificuldade para os responsáveis pelo espaço.
O abrigo não tinha condições adequadas para oferecer os cuidados exigidos por animais silvestres, especialmente por se tratar de uma espécie ameaçada de desaparecer da natureza.
Para resolver a situação, a equipe utilizou o aplicativo Colab, ferramenta que permite encaminhar solicitações de serviços públicos à administração municipal.
O chamado chegou à Fiscalização de Meio Ambiente da Serra, que enviou profissionais para retirar os dois papagaios.
Resgate levou aves ao Ibama
Após serem retirados da instituição, os papagaios foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A unidade fica em Barcelona, bairro do município da Serra, e recebe animais silvestres que necessitam de avaliação e cuidados especializados.
No local, os profissionais podem examinar as condições de saúde das aves, identificar necessidades de tratamento e verificar como elas se comportam fora do ambiente doméstico.
O encaminhamento também permite definir os próximos cuidados sem que a instituição de acolhimento precise manter os animais sob sua responsabilidade.
O resgate se relaciona a um trabalho mais amplo de proteção da fauna brasileira. O país conta com iniciativas voltadas ao atendimento e à recuperação de animais silvestres em situação de vulnerabilidade, como o Programa Nacional de Resgate de Fauna Silvestre.
Espécie corre risco de extinção
O papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha) é uma ave brasileira encontrada naturalmente na Mata Atlântica, especialmente em áreas florestais do Espírito Santo e de outros estados das regiões Sudeste e Nordeste.
Sua aparência é marcada pela plumagem predominantemente verde, com regiões avermelhadas na cabeça e detalhes coloridos nas asas.
Apesar de sua beleza, a espécie enfrenta um cenário preocupante. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o chauá é classificado como vulnerável à extinção no Brasil.
Entre os principais fatores de ameaça estão a redução da cobertura florestal, a fragmentação de seu habitat e a captura irregular.
O interesse pela criação doméstica também contribui para o problema. A retirada de ovos e filhotes da natureza interfere diretamente na reprodução da espécie e prejudica a manutenção das populações.
A conservação de áreas naturais é fundamental para outras espécies ameaçadas da Mata Atlântica, incluindo aquelas encontradas em unidades de proteção ambiental, como o Parque Nacional do Caparaó.
Papagaios poderão voltar à natureza?
O retorno dos animais ao ambiente natural dependerá de avaliação técnica.
Como os dois papagaios passaram muitos anos convivendo com pessoas, os especialistas precisam verificar se possuem condições de sobreviver fora do cativeiro.
O processo envolve a observação do comportamento, a análise das condições físicas e a identificação de possíveis dificuldades de adaptação.
Dependendo dos resultados, poderá ser considerada uma etapa de reabilitação antes de uma eventual soltura.
No entanto, não existe confirmação de que os dois animais serão devolvidos à natureza. A decisão dependerá das avaliações realizadas pelos profissionais responsáveis.
A Prefeitura da Serra orienta os moradores a não tentar capturar ou manusear animais silvestres que precisem de ajuda. A recomendação busca evitar acidentes e proteger tanto as pessoas quanto os próprios animais.
No município, o atendimento pode ser solicitado pelo aplicativo Colab, que permite registrar ocorrências para a fiscalização ambiental.






