O Programa de Internação Domiciliar (PID), que em março deverá completar 30 anos de existência em Santos, no litoral de São Paulo, não está funcionando de forma satisfatória no momento na cidade.
Um dos exemplos é o caso de Constantino Silveira dos Santos, que já estaria liberado para receber tratamento em casa, mas se encontrava até a produção desta reportagem internado na Santa Casa de Misericórdia de Santos aguardando a instalação de um aparelho de oxigênio em sua residência desde antes do Natal. Na mesma data da realização da reportagem o oxigênio foi entregue, por volta das 17h30.
As informações foram repassadas pela esposa, Ana Aparecida Marciano. O marido contraiu Covid-19 e ficou na UTI do hospital. Atualmente, está em um quarto (2º I-211).
“Ele está de alta, esperando (nesta segunda) o oxigênio ser instalado em casa. Estou requisitando o equipamento via PID desde 21 de dezembro último”, explicou na manhã de ontem Ana Aparecida.
Segundo a esposa, Constantino, que passou o Natal sozinho por conta dos protocolos de segurança, é acometido de câncer de coluna.
“Sou diabética e hipertensa. Acredito que está havendo uma grande falta de respeito. Ele está com baixa imunidade e precisa ir pra casa antes que contraia outro tipo de doença dentro do hospital. Estou sem rumo”, explica.
Para agravar a situação, por conta das várias promessas de instalação do equipamento, Ana Aparecida ficou sem sair de casa. “Ligam dizendo que estão chegando para instalar o equipamento, mas não chegam nunca. Me disseram que a Prefeitura não havia comunicado, mas eu sei que foi feito. A gente liga para a empresa e não recebemos resposta”, disse enquanto ainda aguardava.
A médica fisioterapeuta Jannifer Lacerda, que acompanha Constantino dos Santos, acredita que há outras pessoas que estariam na mesma situação. Ontem, segundo ela, entraram em contato com a família e, como sempre, foi prometida a instalação do equipamento até as 22 horas, mas dessa vez houve a surpresa da entrega.
“Precisou o jornal entrar em contato com a Prefeitura para ter sido entregue na casa do paciente. E isso é um absurdo depois de oito dias de espera. E o paciente já estava apto a realizar o seu tratamento em casa”, disse Jannifer.
PREFEITURA.
A Secretaria de Saúde de Santos informa que o fornecimento dos equipamentos de oxigenioterapia é feito por empresa contratada (Air Liquide), vencedora de licitação.
A Coordenadoria de Atendimento Domiciliar solicitou no dia 22 a instalação do equipamento na casa do paciente, o que estava previsto para ocorrer no dia 23.
Devido ao descumprimento do prazo em contrato (24 horas a partir do pedido), a empresa será notificada pela pasta.
O objetivo do PID é proporcionar atendimento domiciliar, gratuito e específico aos doentes, em estado grave e atenção especial da família para evoluírem no tratamento, ou, conviverem com a doença.
Atualmente, 700 pessoas acamadas ou com dificuldades de locomoção são acompanhadas pela Seção de Atendimento Domiciliar (Seadomi).
Há 92 profissionais no atendimento e a solicitação deve ser feita pelo familiar ou representante legal do paciente na policlínica de referência residencial.
