São Paulo começa a rastrear a Atrofia Muscular Espinhal (AME) pelo teste do pezinho a partir de 12 de outubro de 2026. A medida vale para os 645 municípios paulistas e integra a rede pública de saúde, com o objetivo de identificar sinais da doença nos primeiros dias de vida.
Como será o rastreamento da AME em São Paulo
O exame utilizará a mesma amostra de sangue retirada do calcanhar do recém-nascido. Por isso, não será necessária uma nova coleta nessa etapa da triagem.
O teste do pezinho deve ser realizado após as primeiras 48 horas de vida e até o quinto dia após o nascimento. A análise procura alterações genéticas associadas à AME antes do aparecimento dos sintomas.
Quando o resultado indicar suspeita da doença, o bebê será encaminhado a um centro especializado de referência. Nesse local, a equipe realizará um exame confirmatório com material coletado da parte interna da bochecha.
O governo estadual prevê investir R$ 20,8 milhões por ano, com recursos próprios, para oferecer o rastreamento gratuito. A iniciativa contempla bebês nascidos em hospitais públicos e privados.
O que é a atrofia muscular espinhal
A AME é uma doença genética que provoca a perda progressiva da força muscular. A condição afeta os neurônios responsáveis pelo controle dos movimentos e pode comprometer funções como respirar, engolir e caminhar.
A gravidade varia conforme o tipo da doença e a idade em que os primeiros sinais aparecem. Por isso, a identificação precoce ajuda a encaminhar a criança para avaliação especializada e permite que a equipe médica analise as opções de tratamento.
Quais são os tipos de AME
O tipo 1 costuma apresentar sintomas antes dos seis meses de vida e pode afetar a respiração e a deglutição. É considerado a forma mais grave da doença.
No tipo 2, os sinais geralmente aparecem entre seis e 18 meses. A criança pode conseguir sentar, mas apresentar dificuldades para ficar em pé ou andar.
Já o tipo 3 costuma se manifestar após os 18 meses. Nesses casos, a criança pode caminhar, embora exista o risco de perder essa capacidade com a evolução da doença.
Teste do pezinho passa a rastrear oito doenças
Com a inclusão da AME, São Paulo amplia para oito o número de doenças rastreadas na triagem neonatal estadual. A lista também inclui fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.
O rastreamento será iniciado pelo Instituto Jô Clemente. Depois, o serviço será incorporado gradualmente pelos hospitais das clínicas da Unicamp e de Ribeirão Preto.
São Paulo concentra 582 pacientes cadastrados com AME
Dados do Cadastro Nacional da AME, mantido pelo Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname), apontam 582 pacientes cadastrados no estado. O número coloca São Paulo na primeira posição entre as unidades da Federação, seguido por Minas Gerais, com 197 registros.
No Brasil, mais de 2.100 pessoas com a doença estão mapeadas pelo cadastro. A ampliação da triagem neonatal busca facilitar a identificação de novos casos e o encaminhamento para atendimento especializado. A medida passa a integrar a rotina do teste do pezinho na rede estadual em outubro de 2026.
