Sente vontade de apertar coisas fofas? Veja como a ciência explica o fenômeno

Teorias sobre esse assunto ainda estão em desenvolvimento, mas especialistas acreditam que relação pode ter a ver com hormônios e sistema de recompensa 

Escolher nomes que combinam pode deixar a dupla de pets ainda mais especial e divertida (Foto: Genadi Yakovlev/ Pexels)

(Foto: Genadi Yakovlev/ Pexels)

Quem nunca viu um filhote, um bebê bochechudo ou um bichinho de pelúcia e sentiu uma vontade incontrolável de morder, apertar ou até chacoalhar aquele ser? A reação parece contraditória: diante de algo que nos desperta afeto e vontade de cuidar, a resposta do cérebro beira uma leve “agressividade”.

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Na cultura pop e na psicologia, esse fenômeno ganhou o nome de “Cute Aggression” (ou Agressão por Fofura). Mas afinal, isso existe mesmo? O que está por trás dessa sensação tão estranha e comum?

Explicações variam em teoria 

É importante ressaltar que a Cute Aggression ainda é uma teoria em estudo, não um fato neurocientífico totalmente consolidado, já que ainda há muito a avançar em pesquisas da mente.

O cérebro humano é extremamente complexo, e a forma como ele processa emoções opostas simultaneamente ainda é terreno de intensas investigações. 

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Embora o comportamento seja amplamente documentado em relatos comportamentais, as explicações biológicas e evolutivas para o fenômeno ainda contam com diferentes hipóteses formuladas por psicólogos e neurocientistas.

As diferentes justificativas da ciência

Para explicar por que sentimos essa urgência de “esmagar” o que é fofo, pesquisadores trabalham com algumas linhas de raciocínio principais:

1. A hipótese do “mecanismo de regulação emocional”

Desenvolvida por pesquisadoras da Universidade de Yale (como a psicóloga Oriana Aragón), essa é uma das teorias mais aceitas. A ideia é que a Cute Aggression seja uma expressão dimorfa, quando externamos uma emoção negativa (como a agressividade) para conter um excesso de emoção positiva (uma fofura avassaladora).

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A ideia é que ver algo extremamente fofo gera um “pico” tão alto de dopamina e afeto que o cérebro se sente sobrecarregado. Para não “travar” ou ficar incapacitado por excesso de fofura, o sistema nervoso injeta uma dose de frustração ou agressão simulada para reestabelecer o equilíbrio emocional.

2. A explicação neurobiológica (O sistema de recompensa)

Estudos mais recentes que utilizaram eletroencefalograma (EEG) para monitorar a atividade cerebral, como as pesquisas lideradas pela neurocientista Katherine Stavropoulos na Universidade da Califórnia, observaram que a fofura ativa fortemente duas áreas principais do cérebro ao mesmo tempo:

  • O sistema de recompensa (que processa o prazer)
  • O sistema emocional

Quando ambas as redes são estimuladas no nível máximo, ocorre um “curto-circuito” saudável. A vontade de apertar seria a manifestação física desse duplo processamento neural em alta intensidade.

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3. A perspectiva evolutiva (O instinto de proteção)

Sob a ótica da biologia evolutiva, traços como olhos grandes, rostos arredondados e membros curtos (o chamado Kindchenschema, ou esquema de filhote) ativam nosso instinto ancestral de cuidado.

E essa “agressividade” é perigosa?

A teoria evolutiva sugere que a vontade de apertar não passa de uma prontidão motora hiperativa. O cérebro identifica o filhote ou bebê, envia um sinal urgente para que o corpo se aproxime e interaja fisicamente, e essa energia acumulada para proteger acaba se traduzindo em uma tensão muscular, a famosa vontade de apertar com força.

Apesar do nome, a Cute Aggression não tem relação com o desejo real de machucar. Pelo contrário: estudos mostram que pessoas que relatam sentir essa reação em níveis mais intensos costumam demonstrar maior disposição para cuidar, alimentar e proteger os seres fofos que desencadearam a sensação.

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Trata-se apenas de uma das muitas peculiaridades da mente humana: um paradoxo comportamental em que o cérebro recorre a uma pitada de “agressão” involuntária só para conseguir dar conta de tanto amor.