A nova linha de frente do SUS contra a dependência de bets

Com teleatendimentos gratuitoss pelo Meu SUS Digital, rede pública dá suporte aos apostadores

Novo serviço do SUS amplia acesso ao tratamento contra o vício em bets e pode realizar até 100 mil teleatendimentos por mês / Karola G/Pexels

Novo serviço do SUS amplia acesso ao tratamento contra o vício em bets e pode realizar até 100 mil teleatendimentos por mês / Karola G/Pexels

A nova infraestrutura de atendimento psicológico remoto do SUS (Sistema Único de Saúde), que libera até 100 mil teleatendimentos, passou a funcionar nesta semana em resposta aos prejuízos financeiros e mentais das bets. O serviço atende apostadores afetados pelo jogo compulsivo.

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O serviço opera de maneira remota e sigilosa por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), funcionando como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A expansão de mais de 160 vezes em relação às cerca de 600 consultas mensais disponíveis no lançamento do projeto, em março, reflete a alta demanda por suporte no ambiente digital.

A estratégia propõe superar a vergonha e o medo do julgamento social, dilemas recorrentes que impedem a vontade do tratamento presencial.

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou como o teleatendimento disponibilizado pelo SUS remove travas iniciais no processo de recuperação do vício as bets ao declarar.

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”.

A jornada pelo aplicativo e sinais de alerta

Para ingressar no programa de acolhimento, o cidadão deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital com credenciais da conta Gov.br, entrar na seção dedicada à saúde mental e realizar um autoteste preventivo.

Caso o diagnóstico aponte necessidade de acompanhamento, o sistema direciona o paciente para a triagem da AgSUS, gerando o protocolo para o agendamento de até 10 sessões semanais de 50 minutos com psicólogos e enfermeiros especializados.

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O Ministério da Saúde também criou uma cartilha para dar suporte. Voltado ao acolhimento dos ludopáticos, aqueles que têm vícios em apostar dinheiro, o guia foi divulgado neste ano com orientações práticas aos familiares e pessoas que lidam com apostadores dia após dia.

Entre os principais indicativos da dependência em apostas mapeados pelas equipes técnicas estão a ansiedade e irritabilidade na ausência de apostas, alterações repentinas de humor e sono, além do comprometimento recorrente da renda familiar para tentar cobrir prejuízos ocasionados pelas apostas.

Mais de 1 milhão de apostadores aderiram a Autoexclusão

A retaguarda oferecida pelo SUS atua em consonância com as diretrizes do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, iniciativa que acompanha os desdobramentos do setor ao lado do Ministério da Fazenda.

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Os dados oficiais revelam que mais de 1 milhão de brasileiros já recorreram voluntariamente à Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio CPF e impedir o acesso a sites de bets autorizados.

A motivação financeira predomina no raio-x dos bloqueios: 35% dos usuários justificaram o pedido por perda total de controle sobre as apostas, enquanto 11,8% apontaram diretamente o colapso do orçamento pessoal.

O pico de endividamento coincidiu com a realização de grandes torneios esportivos. Somente durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil cidadãos solicitaram a autoexclusão do CPF, o equivalente a cerca de 38% de todos os bloqueios já registrados na plataforma.

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A orientação da rede pública se concentra no atendimento preventivo do aplicativo antes que o comportamento compulsivo atinja níveis graves de insolvência financeira, havendo também a opção de encaminhamento aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) presenciais para os casos mais complexos.