A terapia CAR-T, usada no tratamento de alguns tipos de câncer no sangue, pode custar entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente.
O tratamento ganhou destaque após a morte do cantor Netinho, nesta terça-feira (13/10), em decorrência de um linfoma não Hodgkin. Não há informações públicas sobre uma possível avaliação do artista para receber a terapia. O cantor será velado e cremado em uma cerimônia reservada a familiares e amigos próximos, conforme um desejo expresso pelo próprio artista.
O CAR-T consiste em modificar geneticamente os linfócitos T, células do sistema imunológico, para que reconheçam e ataquem as células cancerígenas.
No Brasil, o tratamento é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para alguns tipos de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo. Em geral, é indicado quando a doença retorna ou não responde a outros tratamentos.
O linfoma não Hodgkin reúne mais de 40 tipos de tumores do sistema linfático, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). As chances de cura variam conforme o subtipo e o estágio da doença. De acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a média fica entre 60% e 70%.
Segundo o hematologista Guilherme Duffles, da Unicamp e da Oncologia D’Or, uma recaída pouco tempo após o primeiro tratamento costuma indicar um prognóstico menos favorável do que quando a doença permanece em remissão por um período prolongado.
Apesar dos resultados promissores, o acesso à terapia CAR-T ainda é limitado pelo custo, pela concentração de centros especializados e pela necessidade de equipes treinadas. Além disso, há riscos de reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas temporárias, que exigem acompanhamento médico especializado.
Pesquisa brasileira busca ampliar acesso
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Butantan e do Hemocentro de Ribeirão Preto divulgaram, em junho, resultados preliminares de uma versão nacional da terapia.
Entre pacientes com linfoma não Hodgkin, 87,5% apresentaram redução significativa ou desaparecimento dos tumores. Os resultados ainda precisam ser confirmados em etapas posteriores de pesquisa.
Um estudo do Hospital Israelita Albert Einstein também registrou resposta ao tratamento em 81% dos pacientes com leucemia ou linfoma avançados, com remissão completa em 72%.
Para que uma terapia desse tipo seja incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), são necessárias etapas regulatórias, avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), definição de financiamento e ampliação da estrutura especializada.






