Trem que ligará SP ao interior muda de novo e perde estação prevista

Novo estudo reduz extensão da linha e corta bilhões do investimento; previsão é que o serviço comece em 2031

Segundo relatos de passageiros nas redes sociais, há trens parados por vários minutos nas estações

Trem SorocabaSão Paulo passa por mudanças no projeto | Divulgação/TIC Trens

Com novas revisões técnicas, o projeto do Trem Intercidades (TIC) Eixo Oeste, que ligará Sorocaba à capital paulista, foi atualizado pelo Governo de São Paulo e sofreu alterações relevantes no traçado, no número de estações e no volume de investimentos previstos.

As informações constam em documentos técnicos disponibilizados pelo estado e atualizados na última terça-feira (13/1).

As mudanças ainda estão em análise e só serão oficializadas com a publicação do edital de concessão, prevista para o primeiro semestre.

Principais ajustes no projeto

O estudo mais recente aponta uma redução na extensão total da linha, que caiu de cerca de 100 quilômetros para 89,6 km.

A mudança ocorre após ajustes no traçado, com o objetivo de diminuir interferências urbanas e reduzir custos com desapropriações.

Também houve alteração no número de estações previstas. A Estação Brigadeiro Tobias, em Sorocaba, foi retirada do projeto.

Permanecem no traçado as estações de Sorocaba, São Roque, Amador Bueno (Itapevi), Carapicuíba e Água Branca, na capital paulista. As cidades de Alumínio e Mairinque seguem fora do plano.

Outro impacto direto das revisões foi a redução do investimento total estimado, que passou de R$ 11,9 bilhões para R$ 10,3 bilhões.

Segundo o governo, a queda está relacionada à menor extensão da linha, à exclusão da estação e à revisão dos métodos construtivos.

A tarifa prevista para o trajeto completo foi mantida em R$ 45, com cobrança proporcional à distância percorrida, estimada em R$ 0,50 por quilômetro.

Traçado e execução das obras

O novo desenho do TIC Eixo Oeste prevê uma divisão de responsabilidades entre a futura concessionária e o poder público.

Caberá à concessionária executar cerca de 61 km de via permanente, além dos sistemas operacionais e de sinalização.

Outros 27 km ficarão sob responsabilidade do Estado ou de terceiros, em trechos compartilhados com outras operações ferroviárias.

O projeto inclui ainda a reconstrução de três estações e a construção de uma nova, cujos locais ainda não foram detalhados. O investimento médio estimado é de R$ 68 milhões por estação.

Operação e capacidade

A previsão é que a operação comercial comece em 2031, com funcionamento diário das 5h à meia-noite.

Os trens serão do tipo salão contínuo, conhecidos como “trem tubo”, com capacidade para até 470 passageiros por composição.

As composições devem contar com ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas, lavabos, espaços para cadeirantes, bicicletas e bagagens, além de sistema de monitoramento.

A demanda estimada é de cerca de 50 mil passageiros por dia, segundo os estudos mais recentes.

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, todas as mudanças seguem em avaliação técnica e só serão consideradas definitivas após a publicação do edital de concessão.