O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão desde o início da série histórica, em 2011.
Ao todo, foram 4.515 denúncias feitas ao longo do ano, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, divulgados pelo G1.
O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando o País já havia alcançado o recorde anterior, com 3.959 registros.
A nova alta consolida uma tendência de crescimento contínuo nos últimos anos e acende um alerta sobre a persistência de formas extremas de exploração no mercado de trabalho brasileiro.
As denúncias foram feitas principalmente por meio do Disque 100, canal oficial do governo federal para registro de violações de direitos humanos.
Os relatos incluem situações enquadradas como trabalho escravo contemporâneo, como jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade.
Janeiro teve maior volume mensal da série
O levantamento mostra que janeiro de 2025 foi o mês com maior número de denúncias já registrado, com 477 relatos. O patamar elevado se manteve ao longo do ano, contribuindo para o novo recorde anual.
Desde 2011, quando os dados passaram a ser sistematizados, o volume de denúncias relacionadas a trabalho escravo vem crescendo de forma significativa, com aceleração mais intensa a partir de 2021.
Trabalho escravo contemporâneo
De acordo com a legislação brasileira, configura trabalho análogo à escravidão qualquer situação que envolva exploração extrema da força de trabalho, mesmo sem a privação física da liberdade. A prática é crime previsto no artigo 149 do Código Penal.
As denúncias recebidas servem como base para ações de fiscalização, investigações e eventuais operações de resgate de trabalhadores submetidos a esse tipo de violação.
Canais seguem como principal ferramenta
O governo federal destaca que os canais de denúncia permitem registros anônimos e gratuitos, o que contribui para o aumento dos relatos.
Ainda assim, os dados reforçam que o problema permanece estrutural e disseminado em diferentes regiões do País.
Com o novo recorde, 2025 passa a marcar o pior ano da série histórica em número de denúncias, evidenciando que, apesar dos mecanismos de combate, o trabalho escravo contemporâneo segue sendo uma realidade no Brasil.
