Tratamento estudado em Harvard para Lito Sousa usa molécula de RNA e pode mudar a forma de combater a doença no cérebro

Pesquisadores avaliam uma estratégia experimental que interfere nas instruções celulares responsáveis pela produção de príons

A molécula estudada em Harvard atua no RNA mensageiro para reduzir a produção da proteína priônica no cérebro.

A molécula estudada em Harvard atua no RNA mensageiro para reduzir a produção da proteína priônica no cérebro. Foto: Reprodução/Redes Sociais/Aviões e Músicas

Lito Sousa aguarda uma possível vaga em um estudo clínico nos Estados Unidos que testa um tratamento experimental para a doença de Creutzfeldt-Jakob. A pesquisa começou em 2026 e avalia uma molécula de RNA desenvolvida para reduzir a proteína ligada às doenças priônicas no cérebro.

Continua após a publicidade

Como funciona o tratamento estudado em Harvard

O estudo é conduzido pelo Broad Institute e por pesquisadores ligados à Harvard Medical School. A pesquisa recebeu o nome de PRiSM e está registrada no ClinicalTrials.gov como NCT07444580. O objetivo inicial é avaliar segurança, tolerabilidade e efeitos da molécula no organismo.

O tratamento usa um RNA de interferência pequeno, conhecido como siRNA. A molécula atua sobre o RNA mensageiro responsável por produzir a proteína priônica. Dessa forma, os pesquisadores tentam diminuir a quantidade dessa proteína no sistema nervoso.

O estudo representa a primeira vez que esse candidato terapêutico é testado em pessoas. A fase 1 começou em maio de 2026 e prevê acompanhamento dos participantes após uma única aplicação do medicamento.

Continua após a publicidade

Aplicação ocorre por punção lombar

A administração ocorre por via intratecal, com aplicação no líquido que envolve o sistema nervoso central. O protocolo prevê diferentes níveis de dose para avaliar a resposta ao medicamento.

O registro oficial informa três doses em avaliação: 50, 100 e 200 miligramas. Os participantes permanecem em acompanhamento por até 24 semanas após a aplicação.

O que os testes mostraram antes de chegar às pessoas

Antes dos testes clínicos, os pesquisadores avaliaram a estratégia em modelos animais. Um estudo publicado na revista Nucleic Acids Research mostrou redução da proteína priônica no cérebro de camundongos.

Continua após a publicidade

Em um dos experimentos, uma dose aplicada depois do início dos sintomas aumentou em 64% o tempo de sobrevivência dos animais. O tratamento também reduziu a proteína priônica para cerca de 49% dos níveis observados nos animais de controle.

Esses resultados não comprovam que o tratamento terá o mesmo efeito em seres humanos. Por isso, a pesquisa clínica precisa verificar segurança, tolerabilidade e atividade biológica antes de qualquer conclusão sobre eficácia.

Lito Sousa está na fila para o estudo

A esposa de Lito Sousa, Mila Seidl, informou nas redes sociais que a família busca uma vaga na pesquisa. Segundo ela, o casal recebeu uma resposta indicando que novas admissões seriam abertas posteriormente.

Continua após a publicidade

O registro oficial, porém, mostra o estudo como recrutando participantes e lista cinco centros nos Estados Unidos. Entre eles estão instituições em Massachusetts, Minnesota, Nova York, Ohio e Tennessee.

O protocolo prevê cerca de 30 participantes. Parte deles receberá o medicamento experimental, enquanto outro grupo será acompanhado sem receber a substância. A previsão oficial é concluir o estudo em agosto de 2029.

A doença ainda não tem cura

A doença de Creutzfeldt-Jakob pertence ao grupo das doenças priônicas. Ela provoca alterações progressivas no cérebro e pode causar problemas de memória, movimentos, coordenação e outras funções neurológicas.

Continua após a publicidade

Segundo a Harvard Health Publishing, a doença é rara e fatal. Cerca de 90% das pessoas com a condição morrem dentro de um ano após o diagnóstico.

O Ministério da Saúde também classifica a Creutzfeldt-Jakob como uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal. O diagnóstico considera sinais clínicos, exames e histórico do paciente.

Cronologia do caso de Lito Sousa

  • Julho de 2026: Lito Sousa foi internado após apresentar perda de parte dos movimentos e dormência no braço esquerdo. Na época, a suspeita divulgada era de uma inflamação do sistema nervoso central, aparentemente de origem autoimune.
  • Ainda em julho: Ele passou por tratamento no Hospital Israelita Albert Einstein, incluindo pulsoterapia. Segundo a esposa, houve uma melhora inicial e a evolução parecia afastar a possibilidade de doença de Creutzfeldt-Jakob.
  • Após a primeira alta: Como a recuperação não avançou como esperado e o quadro voltou a piorar, Lito precisou ser internado novamente.
  • Nas semanas seguintes: O quadro neurológico se agravou. Ele chegou à semi-intensiva por causa de uma inflamação no sistema nervoso central e passou por novos tratamentos enquanto aguardava os resultados dos exames.
  • Agosto de 2026: A família recebeu a confirmação do diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, uma doença priônica rara e progressiva.
  • Nos últimos dias: Segundo Mila Seidl, Lito apresentou perda rápida de movimentos e também passou a perder mais visão. Ao mesmo tempo, ela afirmou que ele permanecia lúcido.
  • 22 de agosto: Mila informou que a família conseguiu aprovação para o home care e revelou que Lito está na fila para participar de um estudo clínico realizado nos Estados Unidos.
  • 23 de agosto: A busca pelo tratamento experimental ganhou destaque devido à velocidade de progressão do quadro. O estudo de Harvard testa um siRNA, molécula criada para reduzir a produção da proteína priônica no cérebro.

O caso de Lito Sousa ocorre em meio ao avanço das pesquisas contra doenças priônicas. O estudo de Harvard ainda está em fase inicial e não permite afirmar que o tratamento seja eficaz contra a doença. Para Lito, a possibilidade de participação depende dos critérios médicos e das regras definidas pelos pesquisadores.

Continua após a publicidade

A evolução do quadro de Lito Sousa em poucas semanas aumentou a busca da família por alternativas em pesquisas clínicas. Enquanto aguarda uma possível vaga, Lito seguirá os cuidados definidos pela equipe médica e pela família.