A vacina brasileira contra o tipo de malária mais comum no País recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar os testes em humanos.
Chamada de Vivaxin, a candidata foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, e será inicialmente testada em 48 voluntários.
A autorização foi concedida na quarta-feira (7/10) e permite o início da fase 1 dos estudos clínicos, realizada no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Participarão da primeira etapa pessoas saudáveis de 18 a 59 anos que nunca tiveram malária.
A Vivaxin é direcionada ao Plasmodium vivax, parasita responsável pela maior parte dos casos de malária no Brasil. Atualmente, não há vacina aprovada contra essa espécie. As duas vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são voltadas ao Plasmodium falciparum, predominante na África e associado à maioria das mortes provocadas pela doença no mundo.
Como serão os testes
Os 48 voluntários serão divididos em grupos que receberão diferentes doses da Vivaxin ou placebo. O protocolo prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias, e acompanhamento dos participantes por cerca de um ano.
Nesta primeira etapa, os pesquisadores vão avaliar principalmente a segurança da vacina, a resposta do sistema imunológico e a reação do organismo às diferentes dosagens. A fase 1 ainda não permitirá concluir se o imunizante é capaz de prevenir a malária.
Caso os resultados sejam positivos, a candidata poderá avançar para a fase 2, com um número maior de participantes. A eficácia da vacina na prevenção da doença será investigada em etapas posteriores.
A autorização da Anvisa não significa que a Vivaxin esteja aprovada para uso ou comercialização. O desenvolvimento ainda depende dos resultados dos estudos clínicos e da conclusão das demais etapas de avaliação.
