Um novo exame de sangue que promete detectar sinais de câncer em pessoas assintomáticas foi implantado no Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. A instituição é a primeira do Brasil a contar com a tecnologia. Um protocolo clínico para a adoção do teste já foi desenvolvido.
Análises feitas com o teste Galleri, fornecido pela Gênesis Genomics, apontaram que a biópsia líquida tem capacidade para identificar os rastros de mais de 50 tipos de câncer. Apesar do avanço, o exame não deve ser o único para diagnosticar os tumores.
Como funciona o exame
Por meio de uma coleta de sangue, o teste Galleri pode detectar os sinais específicos de câncer antes do aparecimento de sintomas, incluindo tumores para os quais atualmente não há estratégias de rastreamento, como os de pâncreas, fígado e ovário.
Diferentemente dos testes genéticos hereditários, que avaliam predisposição herdada ou risco futuro, o teste de detecção precoce multicâncer busca alterações moleculares presentes no organismo no momento da coleta de sangue. Ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação, marcadores químicos naturais que podem ajudar a indicar a presença e a provável origem de células cancerígenas.
No Einstein, foi desenvolvido um protocolo clínico para a adoção do teste, com o objetivo de garantir uma jornada assistencial estruturada, “baseada em evidências científicas e no acompanhamento longitudinal dos pacientes”.
“Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença, por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora”, explica o Dr. Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein.

Para quem o teste é recomendado
Desenvolvido pela norte-americana Grail Inc., o Galleri está sendo oferecido pela Gênesis Genomics, uma parceria entre o Einstein com o Grupo Fleury, e é indicado para pacientes assintomáticos com 50 anos ou mais, como complemento aos exames de rastreamento de câncer recomendados. Ele não é indicado para gestantes e pacientes em tratamento ativo contra o câncer.
“Hoje, o rastreamento de rotina é recomendado para apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer”, explica o Dr. Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein.
Teste não descarta necessidade de outros exames, aponta hospital
Segundo a instituição, estudos científicos e clínicos recentes sustentam o uso do Galleri como ferramenta complementar de detecção precoce, ao lado dos exames de rastreamento já estabelecidos, como mamografia e colonoscopia.
Caso o teste identifique um sinal de câncer, o paciente deverá realizar exames diagnósticos adicionais, direcionados à origem prevista desse sinal, para confirmar se há câncer. Se nenhum sinal for detectado, o acompanhamento clínico de rotina deve continuar, “Um resultado negativo não exclui completamente a presença de câncer no momento atual nem sua ocorrência futura”, aponta a equipe médica do Einstein Hospital Israelita.
