Vereadores de São Sebastião abrem processo de cassação de prefeito

Processo se embasa em supostas irregularidades nos gastos públicos durante a pandemia de Covid-19

A abertura do processo de cassação foi aprovada nesta terça-feira; na foto, o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB)

A abertura do processo de cassação foi aprovada nesta terça-feira; na foto, o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB) | TV Vanguarda/Reprodução

A Câmara Municipal de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, aprovou na noite de terça-feira (14) a abertura do processo de cassação do prefeito Felipe Augusto (PSDB) por supostas irregularidades nos gastos públicos durante a pandemia de Covid-19. 

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Por seis votos a cinco, os vereadores acataram a denúncia feita pelo advogado Roberto Lopes Salomão Magiolino base em relatório do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que apontou possível conduta criminosa por parte de Felipe Augusto e de outros agentes públicos e privados do município. O órgão de contas apresentou ao Ministério Público uma representação criminal contra o prefeito. 

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A reportagem tentou contato com o prefeito por telefone e por mensagem, sem resposta até a publicação deste texto. À BandVale, a assessoria da prefeitura disse que não vai se pronunciar sobre o assunto. 

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Uma comissão processante, que dará continuidade à ação, foi formada por sorteio pelos vereadores Pixoxó (presidente), Nabuco (relator) e Daniel Simões (membro). Eles terão 90 dias para ouvir a defesa do prefeito e outras pessoas para decidir se aceitam ou não a cassação. Se aceitarem o pedido, a Casa terá nova votação, com a necessidade de oito votos para sua aprovação. 

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O relatório foi lido no plenário pelo secretário da Câmara, André Luis Rocha Pierobon (MDB), destacando que, pela representação, “o prefeito estaria agindo de forma ilícita no combate à pandemia de Covid, em relação à aquisição de equipamentos, produtos, serviços e instalações, bem como omitindo-se e sonegando a publicação e transparência dessas etapas”. 

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Segundo Pierobon, um dos relatórios do TCE apontou “gastos irresponsáveis” do prefeito com a contratação de hospitais de campanha, compra de materiais hospitalares, cestas básicas, kits de alimentação para os alunos da rede municipal, dentre outras. 

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Em outro ponto do documento, foi citado que um mobiliário adquirido para hospitais de campanha foi parar no hospital de Boiçucanga e para atendimentos em geral, não apenas para os pacientes da Covid. Segundo o TCE, os gastos do município já teriam atingido o montante de R$ 20 milhões. 

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“O relatório ainda apontou outras questões, como agentes públicos enriquecendo ilicitamente, atos de corrupção diversos, serviço de saúde precário, falta de medicamentos e falta de transparência na divulgação dos gastos públicos”, continuou o secretário. 

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O vereador Wagner Teixeira (Avante), que votou a favor da cassação, afirmou que a decisão da Câmara foi motivada pela investigação do Ministério Público, que abriu processo no Tribunal de Justiça contra Felipe Augusto. 

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“O prefeito gastou de forma desordenada e sem prestar contas. Usando o regime de urgência e emergência da pandemia, ele foi pegando dinheiro dos governos federal e estadual e foi gastando do jeito que achou que deveria”, diz Teixeira. 

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Segundo o vereador, o presidente da Câmara, Marcos Fuly (DEM), também é a favor da cassação. Desta forma, caso a comissão processante dê parecer favorável à saída do prefeito ao final do processo, os votos a favor seriam sete, bastando apenas mais um para confirmar o impeachment de Felipe Augusto. 

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A cidade de São Sebastião vive um momento de crise após fortes chuvas do último Carnaval, que deixaram 64 mortos –além de uma em Ubatuba– e famílias desabrigadas. Com áreas em reconstrução, o município espera retomar o turismo a partir de abril.