Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo neste domingo (16/8), após o agravamento das condições financeiras do grupo. A medida busca reorganizar as obrigações da companhia e ocorre em meio a dificuldades para obter novos recursos.
Pedido envolve empresas ligadas ao grupo
O processo inclui a Casas Bahia e outras empresas relacionadas às atividades do grupo. Entre elas estão a Bartira, fabricante de móveis, além de companhias dos setores de logística, tecnologia e comércio eletrônico.
A lista inclui a ASAP Log, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital e Casas Bahia Tecnologia. Também fazem parte do pedido a Globex Administração e Serviços e outras empresas ligadas à operação.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto pela legislação brasileira. A Lei nº 11.101/2005 estabelece regras para permitir a reorganização de empresas em crise e preservar suas atividades, empregos e interesses dos credores.
Casas Bahia aponta dificuldades financeiras
A empresa relacionou o pedido ao cenário econômico enfrentado nos últimos meses. Entre os fatores citados estão juros elevados, restrição de crédito e aumento do custo financeiro.
A companhia também informou que houve pressão sobre o consumo e o capital de giro. Além disso, alternativas de captação de recursos que estavam em negociação não foram concluídas.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. Como a decisão ocorreu em caráter de urgência, a companhia deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para ratificar a medida.
Prejuízo chegou a R$ 10 bilhões
O anúncio ocorreu no mesmo período da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. A Casas Bahia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões entre abril e junho.
Parte relevante desse resultado veio de efeitos contábeis relacionados ao processo de redimensionamento da operação. Segundo informações divulgadas sobre o balanço, o prejuízo ajustado ficou abaixo do valor registrado oficialmente.
A companhia também confirmou o fechamento de 298 lojas. A medida faz parte de um processo de redução e reorganização da estrutura operacional do grupo.
Recuperação judicial não significa falência
O pedido de recuperação judicial não representa, por si só, a falência da empresa. Pela legislação, o mecanismo busca permitir que o negócio reorganize suas dívidas e apresente um plano aos credores.
Após o deferimento do processamento, a empresa deve apresentar o plano de recuperação dentro do prazo previsto na lei. Os credores podem analisar a proposta e apresentar objeções conforme as regras do processo.
A legislação também prevê a suspensão de determinadas ações e execuções contra a empresa durante o período definido para a recuperação judicial. O objetivo é criar condições para a negociação com os credores.
A Casas Bahia informou que pretende manter suas atividades durante a reestruturação. Lojas físicas, comércio eletrônico e outros canais de venda devem continuar funcionando enquanto o processo segue na Justiça.
As próximas etapas dependerão da análise judicial e das decisões tomadas ao longo da recuperação. O processo também deverá definir as condições para a negociação das dívidas e a continuidade da operação do grupo.
